O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente do país, Dmitri Medvédev, comentou o recente cessar-fogo anunciado entre os Estados Unidos e o Irã, considerando-o um momento em que a razão conseguiu se impor.
Em suas declarações, Medvédev destacou que a decisão de suspender temporariamente as hostilidades, especialmente após ameaças da Casa Branca de destruir a civilização iraniana em um único dia, representa um passo significativo para evitar uma escalada ainda mais grave no Oriente Médio.
De acordo com Medvédev, a aceitação pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de discutir um plano de 10 pontos apresentado pelo Irã já configura uma conquista para a República Islâmica.
Ele ponderou sobre a viabilidade de Washington aderir plenamente aos termos propostos, que incluem compensações por danos causados ao Irã, a manutenção do programa nuclear iraniano e o controle de Teerã sobre o estreito de Ormuz. Para o político russo, ceder a essas condições seria uma humilhação para os EUA, marcando uma vitória estratégica do Irã no tabuleiro geopolítico.
Medvédev também abordou a possibilidade de novos conflitos, alertando que a estabilidade do cessar-fogo permanece frágil. Ele sugeriu que Trump enfrenta limitações internas, como a falta de apoio no Congresso americano para sustentar uma guerra prolongada contra o Irã.
Além disso, comparou a situação a uma complexa partida de xadrez envolvendo três jogadores, com Israel atuando como um fator independente, possivelmente desinteressado em manter a trégua, o que adiciona mais incerteza ao cenário.
Outro ponto levantado pelo ex-presidente russo foi o impacto econômico do conflito sobre a Europa. Segundo ele, os países europeus terão de enfrentar um regime de austeridade devido à escassez de petróleo a preços acessíveis, consequência direta das tensões na região do Golfo Pérsico.
O cessar-fogo, com duração inicial de duas semanas e condicionado por Trump à reabertura do estreito de Ormuz pelo Irã, terá suas próximas etapas discutidas em negociações agendadas para o dia 10 de abril, em Islamabad, no Paquistão, conforme fontes internacionais.
Essas tratativas são vistas como um momento crucial para consolidar os termos do acordo. Trump afirmou que a maioria dos pontos de divergência entre Washington e Teerã já foi resolvida.
O Conselho Nacional de Segurança do Irã declarou que, ao aceitar as condições de negociação impostas por Teerã, tanto os EUA quanto Israel sofreram uma derrota histórica e inequívoca. A posição iraniana reforça a percepção de que o país saiu fortalecido politicamente desse embate.
Ainda que o futuro das relações entre as partes permaneça incerto, com riscos de retomada das hostilidades, a pausa nos confrontos diretos oferece um respiro para a região. As negociações marcadas para o dia 10 de abril serão um teste decisivo para avaliar se o diálogo pode prevalecer sobre as profundas rivalidades que moldam o Oriente Médio.
Com informações de actualidad.rt.com.


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