O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou em 9 de abril de 2026 fortes indícios de infiltração do crime organizado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Durante um julgamento sobre a sucessão de Cláudio Castro no governo do estado, Moraes destacou que a conexão entre grupos criminosos e políticos da Alerj é uma questão concreta e preocupante. Ele classificou a situação no Rio de Janeiro como extremamente anormal, citando episódios que evidenciam a gravidade do problema.
Um dos casos mencionados pelo ministro foi a prisão de Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, em março de 2025, por envolvimento com o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do estado.
Moraes lembrou que, após a detenção, a própria Alerj decidiu pela soltura de Bacellar, um fato que, segundo ele, demonstra a fragilidade das instituições locais diante de pressões políticas e criminosas. O ministro também criticou a regra que permite às Assembleias Legislativas decidir sobre a prisão de seus membros.
Ao contrário do Congresso Nacional, as assembleias estaduais tendem a liberar imediatamente os detidos, como ocorreu com Bacellar, que se manteve no comando da Casa para preservar seu poder político.
Outro ponto levantado por Moraes foi o julgamento do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco pela Primeira Turma do STF. Ele afirmou que o caso revelou ligações políticas entre as milícias de Rio das Pedras e membros da Alerj.
Na decisão, foram condenados Chiquinho Brazão, deputado federal que anteriormente ocupou cargo de deputado estadual, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, como mandantes do crime. Moraes enfatizou a gravidade dessas conexões, que expõem a penetração de grupos criminosos em esferas de poder.
O ministro ainda abordou o retorno à prisão de um ex-presidente da Alerj, também ligado ao Comando Vermelho, em associação com outro deputado estadual, conhecido como TH Joias.
Ele defendeu que o STF revise a norma que concede às assembleias o poder de decidir sobre prisões de parlamentares, argumentando que a prática de soltura imediata compromete a aplicação da justiça. Essas declarações, conforme noticiado pelo portal Metrópoles, reforçam a necessidade de um debate aprofundado sobre os mecanismos de controle e fiscalização no âmbito político estadual do Rio de Janeiro.
As falas de Moraes trazem à tona a complexidade do cenário político fluminense, marcado por interseções entre crime e poder.
A repetição de casos envolvendo figuras de destaque na Alerj e a dificuldade de manter decisões judiciais contra parlamentares indicam desafios estruturais que vão além de episódios isolados, exigindo atenção das autoridades e da sociedade para a preservação da ordem democrática no estado.