O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), descartou a ideia de que a renúncia de Cláudio Castro ao governo do Rio de Janeiro tenha sido uma manobra para influenciar a sucessão estadual.
Em voto proferido no julgamento iniciado no dia 9 de abril de 2026, Mendonça, que também atua no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), argumentou que a saída de Castro não representa um desvio de finalidade, mas sim um processo de desincompatibilização para concorrer a uma vaga no Senado nas eleições de outubro deste ano.
A análise do STF busca determinar se a renúncia foi uma estratégia para evitar uma possível cassação pelo TSE, o que poderia desencadear eleições indiretas no estado.
O julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, deixando a decisão final pendente.
Até o momento, os ministros Luiz Fux e Mendonça posicionaram-se a favor de eleições indiretas, enquanto Cristiano Zanin defendeu a realização de eleições diretas para o cargo.
De acordo com o portal Metrópoles, o PSD, partido do pré-candidato Eduardo Paes, sustenta que Castro antecipou sua renúncia justamente para escapar de uma cassação e, com isso, favorecer a escolha de um novo governador por meio de eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em vez de um pleito popular.
Em seu voto, Mendonça destacou que a renúncia de Castro não foi uma surpresa, já que era um movimento aguardado há meses por analistas políticos.
Ele comparou a situação a outros casos de desincompatibilização, mencionando precedentes de figuras públicas que deixaram cargos para disputar eleições.
O ministro também abordou a questão da transição de poder no estado, defendendo que o novo presidente da Alerj assuma interinamente o governo até a posse de um governador-tampão.
A permanência do governador em exercício, Ricardo Couto, segue indefinida e depende do desfecho do julgamento no STF sobre o formato da eleição.
A conjuntura política no Rio de Janeiro mantém-se em suspense, com aliados de Castro atentos aos desdobramentos na escolha do novo presidente da Alerj, que pode assumir temporariamente o comando do estado.
A eleição de Douglas Ruas para a presidência da Assembleia foi anulada pelo Tribunal de Justiça, e a Alerj ainda aguarda a finalização dos procedimentos para definir o substituto de Rodrigo Bacellar, cujo mandato foi cassado pelo TSE.
Enquanto isso, a base governista ligada ao PL acompanha de perto as decisões do STF, que serão determinantes para os rumos políticos do estado nos próximos meses.
O julgamento no Supremo é visto como um ponto de inflexão, já que definirá não apenas o método de escolha do novo governador, mas também o equilíbrio de forças na política fluminense até as eleições gerais.