Vulcão submarino Kikai pode estar prestes a despertar novamente

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 10/04/2026 10:46

Há 7.300 anos, o vulcão submarino Kikai expeliu 160 quilômetros cúbicos de material e destruiu a civilização Jōmon no sul do Japão. Agora, pesquisadores detectaram que magma está se acumulando novamente sob sua caldeira — a mais de 8,2 km³ por milênio.

Pesquisadores da Universidade de Kobe, em colaboração com a Agência Japonesa para Ciência e Tecnologia Marinha e Terrestre (JAMSTEC), realizaram um estudo abrangente publicado na revista internacional Communications Earth & Environment. A pesquisa revelou que o magma está se acumulando a uma taxa significativa, o que pode indicar uma preparação para uma futura erupção de grandes proporções.

A caldeira de Kikai, situada próxima à Ilha Io, nas Ilhas Ryukyu, é uma das mais perigosas do mundo. Para se ter uma ideia da magnitude, a erupção do Monte St. Helens nos EUA, em 1980, liberou menos de um quilômetro cúbico, e a do Monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, cerca de 10 quilômetros cúbicos.

O geofísico Nobukazu Seama, que liderou a pesquisa, destacou a importância de compreender como volumes tão grandes de magma se acumulam para prever erupções de caldeiras gigantes. A equipe utilizou 39 sensores subaquáticos ao longo de um transecto de 175 quilômetros, além de ondas sonoras emitidas por canhões de ar montados em navios, para criar uma imagem tridimensional da estrutura abaixo do fundo do mar.

Os resultados indicam que o reservatório de magma que alimentou a antiga megaerupção ainda está ativo. A composição química do magma atual difere significativamente do material eruptivo anterior, sugerindo que o magma presente é provavelmente novo e recarregado. Este padrão de recarga de magma na caldeira de Kikai é semelhante aos sistemas magmáticos observados em Yellowstone, nos EUA, e no Lago Toba, na Indonésia.

Embora a tecnologia atual não permita determinar quanto mais magma precisa se acumular antes que uma erupção em larga escala seja desencadeada, o fato de que um dos vulcões com o maior registro de erupções na Terra está silenciosamente armazenando energia há 7.300 anos aumenta a urgência para o estabelecimento de um sistema de monitoramento de longo prazo.

O conhecimento aprofundado sobre o comportamento dos vulcões de caldeira gigante pode ser crucial para a segurança de milhões de pessoas que vivem nas proximidades dessas formações geológicas. Além disso, a aplicação das técnicas de detecção desenvolvidas por esta pesquisa pode aprimorar significativamente a capacidade de prever erupções em outras regiões do mundo.

A comunidade científica internacional está de olho nas descobertas japonesas, que podem impactar a compreensão e a prevenção de desastres naturais em escala global. Fonte.

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