No dia 5 de abril, o analista Mu’ayyad Afana alertou em entrevista à Prensa Latina que a economia palestina enfrenta colapso de grandes proporções provocado por medidas impostas por Israel combinadas com tensões regionais intensificadas após o ataque contra o Irã.
Afana detalhou que 52 por cento das empresas no norte da Cisjordânia, nas cidades de Jenin e Tulkarm, encerraram operações ou reduziram drasticamente suas atividades, o que acelerou a retração em todo o tecido produtivo dos territórios ocupados.
O especialista estimou que cerca de 200 mil empregos foram eliminados, afetando diretamente um milhão de palestinos que dependiam desses rendimentos para sustento familiar.
A crise fiscal da Autoridade Nacional Palestina se agravou com a retenção de impostos recolhidos por Israel em seu nome, gerando atrasos sucessivos no pagamento de salários públicos e acúmulo de dívidas junto a fornecedores de bens e serviços essenciais.
O aumento dos preços do combustível provocado pela instabilidade regional comprometeu ainda mais o transporte, o comércio e a produção local em todos os aspectos da vida cotidiana.
Dados da Federação Geral de Sindicatos revelam que 550 mil pessoas estão desempregadas, o que equivale a 38 por cento dos 1,4 milhão de trabalhadores na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
A Oficina Central de Estatísticas da Palestina registrou contração de 29 por cento no Produto Interno Bruto como efeito direto do conflito em curso.
Relatórios da UNCTAD confirmam que o PIB per capita palestino caiu para apenas 161 dólares, um dos menores índices do mundo e equivalente a 4,6 por cento do PIB per capita da Cisjordânia, em contraste com a situação de quase igualdade observada em 1994.
A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento alertou para o colapso econômico generalizado decorrente da destruição de infraestrutura civil, incluindo hospitais, escolas, fábricas e os sistemas energético e agrícola.
Em Gaza, a deterioração alcançou níveis extremos, com o PIB registrando queda de 83 por cento em 2024, o desemprego atingindo 80 por cento da população ativa e a inflação disparando para 238 por cento no mesmo período. Cerca de 2,3 milhões de pessoas vivem abaixo da linha de pobreza sob essas condições.
A retenção de transferências fiscais por Israel entre 2019 e abril de 2025 gerou perdas acumuladas de 1,76 bilhão de dólares, o equivalente a 12,8 por cento do PIB de 2024.
Essa medida limitou severamente a capacidade do governo palestino de manter funções públicas essenciais, como pagamento de servidores e prestação de serviços básicos de saúde e educação.
A UNCTAD estimou que o custo de reconstrução de Gaza supera os 70 bilhões de dólares e defendeu apoio financeiro internacional urgente para evitar o colapso institucional completo.
A disparidade econômica entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia tende a se aprofundar sem intervenção coordenada. Milhões de palestinos enfrentam restrições no acesso a alimentos, moradia e cuidados médicos, enquanto o setor público luta para honrar compromissos salariais e operacionais.
Os números compilados por sindicatos palestinos e pela UNCTAD indicam que a recuperação será lenta e desigual caso não sejam adotadas medidas efetivas de estabilização fiscal e reconstrução produtiva nos próximos anos.