Irã exige controle sobre Estreito de Ormuz e levantamento total de sanções em proposta de dez pontos enviada aos Estados Unidos

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 11/04/2026 22:22

A República Islâmica do Irã apresentou uma proposta em dez pontos como base para um acordo duradouro com os Estados Unidos.

O documento foi encaminhado por meio do Paquistão e detalha exigências firmes que incluem o reconhecimento do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, a cessação completa de hostilidades em todos os fronts, a retirada de forças de combate americanas da região e o levantamento integral das sanções impostas, inclusive as secundárias.

Conforme reportou o portal Actualidad RT, o plano rejeita qualquer entendimento temporário que limite o alcance das reivindicações iranianas e privilegia a consolidação assertiva do controle político sobre ganhos obtidos em campo.

No dia 11 de abril as partes negociadoras se reuniram em Islamabad para definir ações concretas com prazo máximo de quinze dias, prazo que pode se estender caso haja consenso mútuo.

Baghaei, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, afirmou que, embora o país utilize a diplomacia, persiste profunda desconfiança em relação às intenções americanas.

O texto iraniano estipula ainda a necessidade de indenização por danos, a suspensão de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Junta de Governadores da AIEA que afetam o Irã, e o respeito irrestrito ao programa de enriquecimento de urânio, considerado tema central nas discussões nucleares.

A proposta demanda também a retirada de todas as ameaças de agressão e a colaboração plena para garantir a segurança regional e a navegação segura no Estreito de Ormuz, pivô estratégico que o Irã não pretende comprometer.

Do lado americano, persiste a expectativa de que o Irã aceite restrições ao programa de mísseis balísticos e compromissos rigorosos de não proliferação nuclear, exigências que colidem frontalmente com os princípios defendidos no documento iraniano.

O Paquistão assumiu papel central como mediador e confirmou a presença das delegações, incluindo o Parlamento iraniano liderado por Mohammad Bagher Qalibaf.

O Estreito de Ormuz surge como elemento permanente nas discussões, uma vez que o Irã reivindica seu controle efetivo e demonstra indisposição para qualquer reabertura que comprometa sua soberania ou segurança nacional.

Essas exigências elevam substancialmente o patamar das conversações e demandariam dos Estados Unidos concessões que ultrapassam propostas anteriores, tanto em matéria de sanções quanto em controle geopolítico regional.

As agências internacionais destacam que o futuro das negociações depende da capacidade mútua de aceitar princípios decisivos, especialmente no que se refere ao programa nuclear iraniano e à presença militar americana na área.

O Irã deixou claro que o avanço diplomático só terá validade se traduzir conquistas concretas que preservem os interesses nacionais e os ganhos estratégicos acumulados.

A abordagem iraniana combina o uso constante da via diplomática com a preservação firme do que considera essencial para sua segurança e autonomia.

As conversas em Islamabad representam momento delicado no qual as linhas vermelhas de ambas as partes ficam expostas e o papel do mediador paquistanês ganha relevância adicional para evitar impasse imediato.

A densidade das exigências iranianas reflete confiança nos próprios meios de dissuasão e na disposição de não ceder em pontos considerados vitais para o futuro da República Islâmica.

Com informações de actualidad.rt.com.

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