O Irã sustenta que já venceu o conflito com os Estados Unidos. Mohammad Marandi fez a declaração à Sputnik International durante as negociações em curso na capital paquistanesa.
O comentarista internacional deixou claro que cabe agora aos EUA garantir a paz ao aceitar as condições impostas por Teerã. As conversas bilaterais ocorrem nos dias 11 e 12 de abril de 2026 com intermediação do Paquistão e visam converter o cessar-fogo temporário em acordo definitivo.
Marandi enfatizou que o Irã não iniciou o conflito nem promoveu sua escalada. Da mesma forma, não foi a República Islâmica quem exigiu o término dos ataques.
Para que as negociações prosperem, os fatos sobre o terreno precisam mudar de forma concreta. Acordos formais assinados por Washington ou discursos proferidos possuem valor limitado quando não confirmados por ações consistentes.
Caso os EUA não cumpram os termos, a delegação iraniana deve retornar a Teerã e a crise persistirá com impactos negativos sobre a economia global.
O plano de paz com dez pontos apresentado por Teerã no dia 6 de abril reúne exigências que vão do levantamento total das sanções primárias e secundárias contra o Irã ao reconhecimento pleno do direito iraniano à produção pacífica de urânio.
O documento inclui ainda a garantia de tráfego marítimo seguro no Estreito de Ormuz, que permanece sob controle iraniano, e o pagamento de reparações de guerra. Marandi reforçou que o Irã não faz demandas excessivas, mas busca justiça e soberania plena.
A República Islâmica recusa tratados ou cessar-fogos condicionais que não materializem essas reivindicações básicas.
A agência IRNA formalizou as posições iranianas, que abrangem o fim permanente dos ataques no Oriente Médio, a abertura segura do Estreito de Ormuz, a retirada completa de tropas americanas da região, o direito ao enriquecimento pacífico de urânio, a remoção de todas as sanções econômicas, a liberação dos ativos congelados e a responsabilização pelos danos causados pela guerra.
Essas condições surgiram após o Irã rejeitar proposta anterior dos EUA para um cessar-fogo em quinze pontos, que Teerã classificou como excessiva e irreal. O portal Sputnik detalhou as afirmações de Marandi ao longo das conversas em Islamabad.
O eixo de resistência formado por aliados regionais do Irã demonstrou força e resiliência suficientes para forçar os EUA a se sentarem à mesa de negociações. Nesse cenário, Washington estaria sem capacidade para impor seus termos enquanto o Irã mantém sua soberania e só autoriza acordos que reconheçam integralmente seus interesses estratégicos.
O comentarista alertou que o Irã permanece disposto a retomar as hostilidades caso as exigências não sejam atendidas de modo concreto e não apenas retórico.
As negociações colocam os EUA diante de escolha explícita, segundo Marandi. Washington precisa decidir entre seguir agenda America First sem influência externa ou manter alinhamento com interesses estrangeiros, em especial os de Israel, posição que Teerã rejeita de forma categórica.
O Irã não está preparado para abrir mão de sua soberania ou de sua aliança estratégica com o eixo de resistência. Cada uma das demandas iranianas deve ser implementada de maneira material para que o acordo se consolide e evite o retorno aos confrontos armados na região.
Marandi descreveu que o Irã busca um tratado que Washington terá de aceitar sob pena de sofrer perdas diplomáticas e econômicas significativas. A República Islâmica reclama justiça plena como preço mínimo para qualquer entendimento duradouro.
As conversas em Islamabad seguem tensas, com Teerã insistindo que assinaturas ou promessas verbais não substituem mudanças verificáveis no terreno. O futuro das tratativas depende diretamente da disposição americana em atender as condições apresentadas no plano iraniano de dez pontos e abandonar tentativas de imposição unilateral.


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