No dia 10 de abril o secretário-geral do Hezbollah Naim Qassem garantiu que o grupo político-militar xiita manterá sua luta contra as Forças de Defesa de Israel mesmo após o governo libanês anunciar diálogos diretos com Jerusalém.
Conforme noticiou o Al Jazeera, o líder afirmou que «a resistência persistirá até o último suspiro». Ele destacou que Estado, exército, povo e resistência permanecem completamente unidos na tarefa de restaurar a soberania do Líbano e expulsar o ocupante israelense do território.
Qassem enfatizou ainda que o exército de Israel falhou em alcançar a vitória no campo de batalha ou em cumprir qualquer um dos objetivos declarados para a invasão.
Os ataques lançados pelo Hezbollah com mísseis e drones contra alvos em território israelense, inclusive na cidade de Haifa, mantiveram intensidade elevada após mais de 40 dias de confrontos contínuos desde o início das hostilidades no dia 2 de março.
As declarações de Naim Qassem surgem no contexto de intensa movimentação diplomática promovida pelo governo de Beirute. No mesmo dia 10 de abril o ministro da Cultura Ghassan Salameh revelou que as negociações com Israel devem ocorrer em solo norte-americano com possível início a partir do dia 14 de abril.
Salameh indicou que o Líbano pretende aplicar pressão diplomática forte contra o padrão israelense de bombardeios sistemáticos, ocupação de áreas no sul libanês e deslocamento forçado de populações civis.
O primeiro-ministro Nawaf Salam lidera um governo que proibiu formalmente qualquer atividade militar por parte do Hezbollah. Desde o começo do conflito no dia 2 de março as autoridades libanesas defendem que apenas o Estado possui legitimidade para deter armamento pesado, conduzir operações militares ou participar de processos de negociação.
Salam tem insistido consistentemente na necessidade de uma solução diplomática que restaure a soberania nacional e impeça que o Líbano se torne arena de disputas regionais mais amplas.
Do lado israelense o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu autorizou o início das conversas diretas com o governo libanês. No entanto ele condicionou qualquer avanço real ao desarmamento completo do Hezbollah e reiterou que os bombardeios israelenses sobre o Líbano continuarão até que essa exigência seja totalmente atendida.
Relatos indicam que os ataques israelenses contra alvos libaneses, inclusive em Beirute e no sul do país, intensificaram-se mesmo durante os esforços diplomáticos em curso, gerando dúvidas sobre a sinceridade dos compromissos anunciados.
A situação regional tornou-se ainda mais complexa após a entrada em vigor de um cessar-fogo de duas semanas negociado entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã. O Hezbollah aceitou aderir à trégua e suspendeu temporariamente suas ações ofensivas.
Israel, porém, retomou bombardeios massivos sobre Beirute e regiões do sul do Líbano poucas horas depois que o acordo passou a valer, o que comprometeu a credibilidade do mecanismo de pausa temporária.
O pronunciamento de Naim Qassem expõe de forma clara a divisão interna que marca o cenário político libanês. Enquanto o executivo liderado por Nawaf Salam avança na direção de uma solução negociada, o Hezbollah sustenta sua estratégia de confronto armado como instrumento central de resistência e de manutenção de sua relevância doméstica em meio à crise.
As negociações oficiais entre Israel e o Líbano estão previstas para começar em Washington na segunda quinzena de abril, com o desarmamento do Hezbollah figurando como exigência central da parte israelense. O governo libanês, por sua vez, condiciona qualquer diálogo real ao fim imediato dos bombardeios israelenses sobre seu território.
Com informações de sputnikglobe.com.