Pesquisadores descobrem DNA canino de 16 mil anos e redefinem origem dos cães

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 11/04/2026 17:31

Um estudo recente trouxe novas perspectivas sobre a relação milenar entre humanos e cães, ao identificar o DNA canino mais antigo já registrado, datado de aproximadamente 16 mil anos.

O material foi extraído de um fragmento de crânio encontrado em Pinarbasi, na Turquia atual, indicando que a convivência entre as duas espécies pode ter começado muito antes do que os registros anteriores sugeriam.

De acordo com o portal phys.org, que publicou a notícia em março de 2026, essa descoberta aponta para uma parceria que remonta a milhares de anos além do consenso prévio, que situava a domesticação por volta de 11 mil anos atrás.

Liderado por Pontus Skoglund, geneticista vinculado ao Francis Crick Institute, em Londres, no Reino Unido, o estudo revelou que os cães modernos provavelmente descendem de uma combinação de duas linhagens de lobos cinzentos.

A dificuldade em diferenciar ossos antigos de cães e lobos sempre complicou a datação precisa da domesticação. Para contornar esse obstáculo, a equipe recorreu ao sequenciamento genético de restos arqueológicos, permitindo traçar com maior clareza os caminhos evolutivos desses animais e sua separação definitiva dos lobos selvagens.

Além do achado na Turquia, os pesquisadores também analisaram evidências genéticas de 14.300 anos atrás, localizadas no sudoeste da Inglaterra, que demonstram a dispersão dos cães pela Europa.

Embora não seja possível determinar com exatidão o papel desses animais nas comunidades humanas do final da Era do Gelo, os cientistas acreditam que eles desempenhavam funções essenciais, como auxílio na caça ou proteção.

Essa hipótese se sustenta pelo fato de que alimentá-los representava um custo significativo para grupos humanos da época, sugerindo que sua presença era justificada por benefícios concretos.

Outro aspecto abordado pela pesquisa envolveu a comparação de genomas de 216 restos de cães e lobos provenientes de diversas regiões da Europa, permitindo reconstruir a evolução canina no continente.

Durante a revolução agrícola neolítica, há cerca de 10 mil anos, uma grande migração de populações do sudoeste da Ásia para a Europa transformou o cenário demográfico da região.

Curiosamente, os cães dos caçadores-coletores europeus não apresentam mistura genética significativa com os dos migrantes agricultores nesse período, o que indica que os primeiros já conviviam com cães domesticados antes da chegada desses novos grupos.

As descobertas reforçam que a domesticação dos cães ocorreu em um passado muito mais remoto do que as estimativas tradicionais apontavam.

Skoglund destacou que ainda persiste uma lacuna genética entre cães e lobos, e a busca por elos intermediários continua desafiando os cientistas.

Mesmo assim, os dados atuais sublinham a relevância dos cães para as sociedades humanas ancestrais, que os integraram em suas rotinas e estruturas sociais, consolidando um vínculo que atravessou milênios e moldou a história de ambas as espécies.

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