Cientistas validam poder do tormentil contra superbactérias resistentes a antibióticos

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 12/04/2026 02:31

Um estudo conduzido por cientistas das universidades de Southampton, Trinity College Dublin e Brunel demonstrou que o tormentil (Potentilla erecta), uma flor amarela de quatro pétalas nativa de brejos da Irlanda, do Reino Unido e de outras regiões da Europa, possui potente atividade contra bactérias resistentes a múltiplos antibióticos.

A raiz dessa planta era empregada há séculos na medicina popular para tratar feridas, dor de garganta, diarreia e doenças gengivais.

Os pesquisadores extraíram compostos de mais de 70 espécies de plantas de brejo coletadas em diferentes regiões da Irlanda e submeteram os extratos a testes contra bactérias patogênicas responsáveis por pneumonia grave, infecções do trato urinário e outras condições críticas, incluindo cepas resistentes a múltiplos medicamentos.

Conforme detalhou o Phys.org em sua cobertura, os ensaios de suscetibilidade antimicrobiana mostraram que o tormentil inibe o crescimento bacteriano e impede a formação de biofilmes — comunidades protegidas por escudo viscoso que dificultam a eliminação dos microrganismos.

O tormentil ainda demonstrou capacidade de atuar em combinação com antibióticos existentes. Em doses subótimas de colistina, medicamento reservado como última opção devido à toxicidade, o extrato vegetal reforçou a ação do fármaco.

Os compostos elágico e agrimoniina presentes na planta agem sobre a homeostase do ferro intracelular, retirando o mineral essencial para a multiplicação bacteriana e efetivamente esfomeando os microrganismos. O efeito se reverteu quando ferro foi adicionado ao meio de cultura.

Um foco central recaiu sobre a Acinetobacter baumannii resistente a carbapenêmicos, um dos patógenos mais perigosos em infecções hospitalares, que causa quadros graves e leva a dezenas de milhares de mortes anuais.

O tormentil inibiu diretamente essa bactéria e funcionou como coadjuvante da colistina, o que pode estender a utilidade desse antibiótico como linha final de defesa contra superbactérias.

A pesquisa reforça o valor dos saberes tradicionais e da medicina herbal como fontes concretas de inovação científica para enfrentar a escalada da resistência antimicrobiana, que ameaça transformar infecções rotineiras em condições de difícil controle.

O trabalho conecta práticas antigas ao rigor laboratorial contemporâneo ao mapear mecanismos precisos de ação dos extratos vegetais.

Os autores destacam que ainda será necessário otimizar a atividade antimicrobiana do tormentil, desenvolver formulações clínicas adequadas e conduzir testes de eficácia e segurança em modelos experimentais antes de qualquer aplicação em humanos.

Os resultados abrem perspectiva para novas abordagens que prolonguem a eficácia de antibióticos existentes e reduzam a pressão por novos fármacos em um cenário de crescente ameaça microbiana.

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