O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enviou recado direto ao advogado-geral da União Jorge Messias por meio de interlocutores. Não existe objeção pessoal à indicação dele ao Supremo Tribunal Federal. O sinal, contudo, deixa explícita a preferência do senador pelo ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para ocupar a vaga. A posição acirra os bastidores políticos às vésperas da sabatina e da votação marcada para o dia 29 de abril, segundo reportou o portal Metrópoles.
Aliados próximos a Alcolumbre explicam que a insistência no nome de Pacheco tem relação mais forte com os laços políticos consolidados do que com qualquer crítica direta a Messias.
O presidente do Senado avaliava que Pacheco teria trânsito mais fluido na Casa e maior chance de reunir apoio amplo entre os parlamentares. O AGU foi informado sobre o posicionamento e não demonstra ressentimento.
Messias manifestou “grande admiração e apreço” por Alcolumbre e os dois devem realizar reunião presencial antes que o nome seja analisado pela Comissão de Constituição e Justiça.
A escolha de Messias provocou desconforto visível em Alcolumbre. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), detalha que o presidente da Casa entende que o Planalto poderia ter trabalhado com maior intensidade para viabilizar a indicação de Pacheco.
Apesar da preferência declarada, Alcolumbre comunicou ao presidente Lula que, embora possa votar contra Messias se mantiver a avaliação atual, não adotará medidas para obstruir o andamento regimental do processo. A postura difere de ações tomadas por ele em indicações anteriores ao Supremo Tribunal Federal.
O senador também impôs rigor procedimental claro. Ele rejeitou qualquer tentativa de antecipar etapas sem o cumprimento integral das normas do Senado, incluindo o envio formal da mensagem presidencial e a entrega completa de toda a documentação exigida para a sabatina.
Alcolumbre cancelou cronogramas que buscavam acelerar o trâmite sem observância plena do rito, enviando recado de que a Casa não aceitará pressões institucionais externas para atropelar regras internas.
Messias, por sua vez, acumula apoios relevantes. O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes manifestou-se favoravelmente.
Cálculos de senadores governistas indicam que o advogado-geral da União reúne condições de obter os 14 votos necessários na Comissão de Constituição e Justiça e os 41 votos exigidos no plenário para confirmação. O ambiente, no entanto, permanece desafiador exatamente pela posição institucional de Alcolumbre, que combina neutralidade processual com preferência explícita por Pacheco.
O episódio reforça que nomeações para o Supremo Tribunal Federal, mesmo quando partem do Executivo, continuam moldadas por intensas negociações no Legislativo. Alcolumbre demonstra que as prerrogativas do Senado conservam poder real e podem condicionar o êxito de uma indicação presidencial.
A sabatina prevista para o dia 29 de abril servirá de teste concreto para a capacidade de articulação do governo federal diante da resistência moderada do presidente da Casa Alta.
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