Cientistas britânicos enviam vermes microscópicos à ISS para preparar missões tripuladas à Lua

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 13/04/2026 13:32

Cientistas do Reino Unido enviaram vermes microscópicos do tipo Caenorhabditis elegans para a Estação Espacial Internacional em missão científica inédita destinada a investigar os efeitos da microgravidade e da radiação cósmica sobre músculos e ossos.

O experimento partiu de Cabo Canaveral a bordo de missão de reabastecimento da Northrop Grumman às 12h41 no horário britânico de verão.

O estudo é considerado fundamental para viabilizar viagens de longa duração no âmbito do programa Artemis, que prevê orbitar a Lua e construir bases lunares permanentes.

O aparato denominado Fluorescent Deep Space Petri-Pod, ou FDSPP, foi desenvolvido por equipes das universidades de Exeter e Leicester com recursos da UK Space Agency.

Conforme detalhou o Phys.org, o equipamento pesa cerca de três quilos e possui dimensões de 10 por 10 por 30 centímetros.

Ele abriga doze câmaras experimentais, sendo quatro equipadas para capturar imagens fluorescentes e ópticas convencionais, enquanto mantém estáveis temperatura, pressão e ar e fornece alimento e água por meio de cultura à base de ágar para os organismos, que medem aproximadamente um milímetro de comprimento.

Inicialmente o dispositivo permanecerá no interior da estação para aclimatação dos vermes. Em seguida será posicionado na parte externa da ISS, onde ficará exposto ao vácuo espacial, à radiação cósmica e à microgravidade por até quinze semanas.

Durante todo o período, os pesquisadores monitorarão a saúde dos nematoides por meio de câmeras que registram imagens estáticas, vídeos e sinais fluorescentes, além de sensores que acompanham temperatura, pressão e dose acumulada de radiação, com todos os dados sendo transmitidos em tempo real para a Terra.

O doutor Tim Etheridge, da Universidade de Exeter, destacou que o experimento se insere diretamente no contexto do programa Artemis. Entender como esses organismos se adaptam pode revelar mecanismos biológicos capazes de proteger a saúde de astronautas em viagens de longa duração ao espaço profundo.

A perda de massa óssea e muscular, as alterações nos fluidos corporais, os problemas de visão e os danos genéticos por radiação representam riscos significativos para missões prolongadas fora da órbita terrestre.

A ministra britânica responsável pelo espaço, Liz Lloyd, afirmou que, embora pareça surpreendente, esses minúsculos organismos poderão desempenhar papel vital na manutenção da saúde humana durante voos espaciais prolongados.

Ela ressaltou ainda que a iniciativa demonstra a ambição e a capacidade do Reino Unido de liderar pesquisas espaciais inovadoras, gerando benefícios práticos tanto para o avanço científico quanto para o desenvolvimento econômico do país.

O FDSPP permitirá aos cientistas observar em tempo real como essas condições afetam organismos vivos e identificar possíveis intervenções para neutralizar ou minimizar seus impactos, preparando melhor as futuras expedições lunares e além.

Experimentos miniaturizados como este apresentam custos muito inferiores e menor complexidade operacional quando comparados a missões tripuladas completas, mas carregam potencial elevado para gerar conhecimentos fundamentais aplicáveis a sistemas de suporte à vida.

Os pesquisadores já planejam expandir o uso do FDSPP e de tecnologias semelhantes para testes com organismos mais complexos ou em missões de duração estendida, inclusive aquelas com destino à Lua ou a Marte.

Caso obtenha sucesso completo, o estudo dos vermes nematoides marcará avanço decisivo rumo à presença humana sustentável no espaço profundo, entregando pistas concretas sobre como proteger o organismo humano contra as pressões de permanecer longe da Terra por períodos prolongados.


📬 Assine a Newsletter do O Cafezinho

Receba a Manchete do Dia diretamente no seu e-mail, de graça e sem enrolação, todo dia pela manhã. É só colocar o seu e-mail abaixo:

[mailchimp_subscribe_form]

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.