Cientistas do MBARI identificaram três campos gigantescos de lava no vulcão submarino Axial Seamount, na dorsal Juan de Fuca, que cobrem entre 65 e 100 quilômetros quadrados cada um e têm até 130 metros de espessura — descobertas impressionantes reveladas em estudo recente publicado pela revista Geochemistry, Geophysics, Geosystems.
Esses fluxos maciços estendem-se por zonas distantes das crateras ativas do vulcão, chamadas de “rift zones”, e exibem lagoas de lava — cavidades que se formam quando o magma permanece ativo abaixo de uma crosta endurecida e, depois de um colapso, se drenam, deixando buracos profundos. O processo é conhecido como inflação: o magma continua empurrando por baixo mesmo após a superfície solidificar.
Medições batimétricas realizadas por robôs-submarinos (AUVs) permitiram mapear esses campos com resolução inédita. Um conjunto de poços de lava drenada ultrapassa 100 metros de profundidade. Os pesquisadores sustentam que grandes volúmenes são alimentados rapidamente por canais magmáticos que conectam a câmara do cume do vulcão a fissuras distantes — denominados dikes — estendendo-se para zonas afastadas do centro eruptivo principal.
Um dos eventos mais recentes data de cerca de 1.200 anos, possivelmente ligado a um colapso da caldeira do Axial. Os demais campos estudados são muito mais antigos, mas mantêm estrutura semelhante, o que indica que episódios desse tipo ocorrem em ciclos geológicos relativamente frequentes.
O Axial Seamount também apresenta um sistema de abastecimento magmático subterrâneo assimétrico: existe um canal estreito, de 1,6 a 2 km de largura, sob a parede leste da caldeira, e uma zona de rocha parcialmente derretida que se estende até a base da crosta. Esse canal funciona como uma tubulação que entrega magma com alto teor de material fundido (entre 4% e 11%) à parte superior do sistema magmático, explicando por que erupções recentes se iniciam principalmente na borda leste da caldeira.
Após erupções, ocorrem inchaços do solo oceânico — inflação — de até vários centímetros por ano. Depois da erupção de 2015, por exemplo, o Axial Seamount voltou a inflar, mas a uma taxa muito menor: antes acima de 1 metro por ano; recentemente, abaixo de 10 centímetros/ano. Esse padrão de inflação e deflação permite prever erupções com base em comportamentos históricos.
As amostras de lava coletadas nesses campos apresentam composição química (plagioclásica) semelhante a erupções anteriores, o que mostra que o magma não sofreu alterações significativas entre diferentes eventos eruptivos. Sedimentos recentes sobre fluxos antigos demonstram que esses campos se formam ao longo de períodos muito longos.
Embora o Axial Seamount esteja cerca de 1.400 metros abaixo da superfície do mar e não represente ameaça direta às comunidades costeiras, ele oferece uma janela científica crítica. Monitorado por redes como o OOI Regional Cabled Array e observatórios robóticos, é um dos poucos vulcões submarinos cujo ciclo — injeção de magma, erupção, deflação e nova inflação — está bem documentado.
Essa descoberta aprimora nossa compreensão de como o fundo oceânico é moldado: vulcões submarinos formam paisagens complexas em rifts distantes, com fluxos espessos e câmaras subterrâneas ativas. Na geologia, isso exige rever modelos de formação da crosta oceânica e avaliar riscos à estabilidade costeira. No contexto climático, ajuda a mapear ciclos de liberação de gases vulcânicos e seus possíveis impactos ambientais. Para pesquisar no Brasil e no Sul Global — regiões com vulcanismo submarino pouco explorado —, investimento em tecnologia marítima, monitoramento e modelagem integrada deixa de ser opção e torna-se prioridade estratégica para a ciência democrática.
Com informações de excelsior.com.mx.