Colapso da AMOC pode liberar bilhões de toneladas de carbono e intensificar aquecimento global

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 13/04/2026 14:31

O colapso da Circulação Meridional de Retorno do Atlântico, conhecida como AMOC, pode provocar a liberação de bilhões de toneladas de carbono armazenado nas profundezas do oceano Antártico e contribuir para um aquecimento adicional entre 0,17 e 0,27 grau Celsius em escala global.

A conclusão consta de estudo conduzido por pesquisadores do Potsdam Institute for Climate Impact Research e publicado na revista Communications Earth & Environment, conforme detalhou o phys.org em reportagem sobre os resultados da pesquisa.

A AMOC inclui a Corrente do Golfo e transporta águas quentes e salgadas do Golfo do México para o Atlântico Norte, onde elas esfriam, afundam e retornam como correntes profundas. Esse processo regula o clima do hemisfério norte.

O derretimento acelerado do gelo da Groenlândia libera volumes significativos de água doce que reduzem a salinidade e a densidade das águas superficiais do Atlântico Norte, enfraquecendo o afundamento que sustenta toda a circulação. Os modelos indicam que esse enfraquecimento se propaga até as latitudes próximas à Antártica, onde provoca acúmulo de água doce.

Esse acúmulo rompe a camada superficial menos densa que normalmente mantém isoladas as águas profundas ricas em dióxido de carbono acumulado ao longo de séculos. Com o colapso da AMOC, essas águas profundas sobem à superfície e liberam o gás para a atmosfera.

Os pesquisadores simularam cenários com concentrações atmosféricas de dióxido de carbono entre 280 partes por milhão — do período pré-industrial — e os atuais cerca de 430 partes por milhão. A partir de 350 partes por milhão, o colapso da AMOC se torna irreversível mesmo após a remoção do forçante de água doce.

Como as concentrações atuais já superam 430 partes por milhão, o sistema opera em regime onde a recuperação da circulação seria improvável caso ela colapsasse.

O estudo projeta ainda impactos regionais expressivos. O Ártico registraria resfriamento médio de aproximadamente 7 graus Celsius, enquanto a Antártica experimentaria aquecimento de cerca de 6 graus Celsius. Esse aquecimento antártico aumentaria a probabilidade de degelo em grande escala, inclusive na porção leste do continente, que abriga extensas reservas de gelo e influenciaria diretamente a elevação do nível dos mares.

A liberação de carbono do oceano Antártico ocorreria de forma gradual ao longo de séculos ou milênios. No entanto, o compromisso climático se estabelece de maneira mais imediata, com consequências de longo prazo para o sistema terrestre.

Os experimentos de modelagem forçaram o colapso da AMOC por meio de adição contínua de água doce no Atlântico Norte, mantendo os níveis de dióxido de carbono constantes em diferentes patamares. Em todos os cenários com concentrações elevadas, a circulação permaneceu interrompida mesmo depois de cessada a perturbação, demonstrando alteração na estabilidade do sistema climático.

Os autores destacam que a interconexão entre a AMOC, o ciclo do carbono oceânico e as temperaturas regionais revela feedbacks que podem amplificar o efeito das emissões humanas. O enfraquecimento já observado na circulação real torna os achados particularmente relevantes para a compreensão de riscos futuros.

A pesquisa contribui para mapear como mudanças em um componente do sistema oceânico podem afetar outros elementos, incluindo a capacidade do oceano Antártico de atuar como sumidouro de carbono. Reduzir emissões permanece medida central para limitar a probabilidade de ativação desses mecanismos de amplificação.

O trabalho reforça a necessidade de considerar interações complexas entre correntes oceânicas, concentrações de gases de efeito estufa e distribuição de calor no planeta. As simulações não preveem data específica para eventual colapso, mas indicam que os níveis atuais de dióxido de carbono já posicionam o sistema próximo a limiares de irreversibilidade caso a AMOC venha a ser desestabilizada.

Os resultados foram obtidos por meio de modelos que isolam o efeito do colapso forçado sobre o ciclo de carbono e os padrões de temperatura, permitindo avaliação precisa dos impactos globais e regionais.

Com informações de newscientist.com.


📬 Assine a Newsletter do O Cafezinho

Receba a Manchete do Dia diretamente no seu e-mail, de graça e sem enrolação, todo dia pela manhã. É só colocar o seu e-mail abaixo:

[mailchimp_subscribe_form]

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.