O vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Alexander Maslennikov, afirmou que a continuidade do conflito no Oriente Médio elevou significativamente o risco de uma crise alimentar em escala global.
Ao destacar os impactos já visíveis sobre o agronegócio e a segurança alimentar internacional, conforme apurado pelo portal Sputnik, ele alertou que o agravamento das hostilidades pode comprometer o acesso a alimentos em diversas regiões vulneráveis do planeta.
Maslennikov chamou atenção para o Estreito de Hormuz como um dos maiores pontos de tensão atual. Caso a passagem vital seja bloqueada por três meses ou mais, países da região enfrentarão escassez de alimentos.
Ele mencionou ainda a possibilidade de forças externas buscarem desestabilizar a própria segurança alimentar da Rússia. Ao mesmo tempo, Moscou se declara pronta para ampliar seus envios de alimentos ao Oriente Médio, à Ásia, à África e à América Latina, de modo a preencher o vácuo criado pelas interrupções nas rotas comerciais tradicionais.
Relatórios da S&P Global indicam que a guerra já provocou elevação substancial nos custos globais de frete. Rotas que atravessam o Estreito de Hormuz — essencial para o transporte de fertilizantes, petróleo e gás natural — encontram-se seriamente comprometidas.
O tráfego marítimo pela passagem registrou queda acentuada, enquanto as taxas de seguro e os preços dos fretes dispararam em razão dos prêmios de risco de guerra, que encarecem ainda mais as operações logísticas.
Para produtores agrícolas ao redor do mundo, o aumento nos custos de insumos como combustível, fertilizantes e transporte marítimo vem corroendo margens de lucro de forma progressiva. Essa pressão pode levar à redução na aplicação de nutrientes no solo, o que ameaça diminuir a produtividade em ciclos futuros.
Nações que dependem de importações — especialmente aquelas ligadas ao suprimento do Golfo Pérsico — enfrentam dupla dificuldade: pagam valores mais altos por remessas e convivem com rotas alteradas ou atrasadas.
O Programa Mundial de Alimentos alertou que populações que já convivem com insegurança alimentar sofrem retrocessos dramáticos a cada nova interrupção logística. Os tempos de entrega mais longos nas rotas comerciais que contornam o Golfo resultam em volumes menores de assistência humanitária entregues àqueles que mais dependem de ajuda externa.
As implicações alcançam também economias emergentes, onde o encarecimento do frete marítimo e dos combustíveis pressiona os custos internos de escoamento da produção agrícola.
A persistência de um bloqueio no Estreito de Hormuz por período prolongado poderia gerar escassez de produtos básicos em partes do Oriente Médio, da Ásia, da África e da América Latina, com reflexos inflacionários que atingem com maior intensidade as comunidades mais pobres.
Essa combinação de insegurança alimentar local e instabilidade social carrega potencial de reverberar para além das fronteiras regionais. A Rússia reforça sua disposição de atuar como fornecedor alternativo de grãos e outros alimentos justamente enquanto as rotas convencionais permanecem sob ameaça.
Especialistas acompanham o volume de tráfego remanescente na região e o comportamento dos prêmios de seguro de guerra, que seguem em trajetória ascendente. Qualquer interrupção adicional no fluxo de fertilizantes pelo corredor do Hormuz tende a produzir efeitos em cadeia sobre os preços internacionais de insumos agrícolas.
Maslennikov enfatizou que a segurança alimentar não pode ser dissociada dos desdobramentos geopolíticos em curso no Oriente Médio e que a estabilidade das rotas marítimas críticas permanece fator decisivo para evitar uma crise de proporções mundiais.
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