Crise no Oriente Médio ameaça segurança alimentar global, adverte vice-secretário russo

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 13/04/2026 05:21

O vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Alexander Maslennikov, afirmou que a continuidade do conflito no Oriente Médio elevou significativamente o risco de uma crise alimentar em escala global.

Ao destacar os impactos já visíveis sobre o agronegócio e a segurança alimentar internacional, conforme apurado pelo portal Sputnik, ele alertou que o agravamento das hostilidades pode comprometer o acesso a alimentos em diversas regiões vulneráveis do planeta.

Maslennikov chamou atenção para o Estreito de Hormuz como um dos maiores pontos de tensão atual. Caso a passagem vital seja bloqueada por três meses ou mais, países da região enfrentarão escassez de alimentos.

Ele mencionou ainda a possibilidade de forças externas buscarem desestabilizar a própria segurança alimentar da Rússia. Ao mesmo tempo, Moscou se declara pronta para ampliar seus envios de alimentos ao Oriente Médio, à Ásia, à África e à América Latina, de modo a preencher o vácuo criado pelas interrupções nas rotas comerciais tradicionais.

Relatórios da S&P Global indicam que a guerra já provocou elevação substancial nos custos globais de frete. Rotas que atravessam o Estreito de Hormuz — essencial para o transporte de fertilizantes, petróleo e gás natural — encontram-se seriamente comprometidas.

O tráfego marítimo pela passagem registrou queda acentuada, enquanto as taxas de seguro e os preços dos fretes dispararam em razão dos prêmios de risco de guerra, que encarecem ainda mais as operações logísticas.

Para produtores agrícolas ao redor do mundo, o aumento nos custos de insumos como combustível, fertilizantes e transporte marítimo vem corroendo margens de lucro de forma progressiva. Essa pressão pode levar à redução na aplicação de nutrientes no solo, o que ameaça diminuir a produtividade em ciclos futuros.

Nações que dependem de importações — especialmente aquelas ligadas ao suprimento do Golfo Pérsico — enfrentam dupla dificuldade: pagam valores mais altos por remessas e convivem com rotas alteradas ou atrasadas.

O Programa Mundial de Alimentos alertou que populações que já convivem com insegurança alimentar sofrem retrocessos dramáticos a cada nova interrupção logística. Os tempos de entrega mais longos nas rotas comerciais que contornam o Golfo resultam em volumes menores de assistência humanitária entregues àqueles que mais dependem de ajuda externa.

As implicações alcançam também economias emergentes, onde o encarecimento do frete marítimo e dos combustíveis pressiona os custos internos de escoamento da produção agrícola.

A persistência de um bloqueio no Estreito de Hormuz por período prolongado poderia gerar escassez de produtos básicos em partes do Oriente Médio, da Ásia, da África e da América Latina, com reflexos inflacionários que atingem com maior intensidade as comunidades mais pobres.

Essa combinação de insegurança alimentar local e instabilidade social carrega potencial de reverberar para além das fronteiras regionais. A Rússia reforça sua disposição de atuar como fornecedor alternativo de grãos e outros alimentos justamente enquanto as rotas convencionais permanecem sob ameaça.

Especialistas acompanham o volume de tráfego remanescente na região e o comportamento dos prêmios de seguro de guerra, que seguem em trajetória ascendente. Qualquer interrupção adicional no fluxo de fertilizantes pelo corredor do Hormuz tende a produzir efeitos em cadeia sobre os preços internacionais de insumos agrícolas.

Maslennikov enfatizou que a segurança alimentar não pode ser dissociada dos desdobramentos geopolíticos em curso no Oriente Médio e que a estabilidade das rotas marítimas críticas permanece fator decisivo para evitar uma crise de proporções mundiais.


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