Um painel de 13 relatores especiais da ONU denunciou os ataques contínuos contra palestinos deslocados em Gaza e as medidas de deslocamento forçado na Cisjordânia ocupada.
O alerta integra declaração oficial do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e aponta violações sistemáticas do direito internacional humanitário.
Os especialistas indicaram que ataques aéreos israelenses registrados em março incendiaram tendas de pessoas deslocadas, causando mortes de civis. Segundo o portal do OHCHR em sua nota oficial, tais ações — combinadas ao ciclo repetido de terror e remoções sucessivas — visam tornar a vida dos palestinos insustentável, forçando-os a abandonar definitivamente suas terras.
O bombardeio de áreas conhecidas por abrigar civis configura grave violação do direito internacional humanitário.
A maioria da população de Gaza já foi deslocada várias vezes, o que os relatores caracterizam como transferência forçada. Civis que vivem em tendas e habitações improvisadas enfrentam riscos severos de saúde associados à fome, ao frio, às inundações e à completa ausência de serviços básicos.
Mulheres e crianças carregam o peso desproporcional dessa vulnerabilidade extrema.
Na Cisjordânia, o documento registra intensificação drástica do deslocamento forçado ao longo de 2025, impulsionada por colonos respaldados pelo Estado israelense e por operações militares. Casas, áreas agrícolas e meios de subsistência palestinos são destruídos de forma sistemática.
Ataques diários resultam em mortes, ferimentos e perseguição direcionada especialmente contra mulheres e crianças. Estima-se que mais de 36 mil palestinos foram expulsos de suas residências por colonos ou sob pressão militar somente em 2025.
O conjunto dessas ações é classificado pelos especialistas como evidência clara de uma política mais ampla de limpeza étnica em todo o território palestino ocupado. Os relatores exigem o fim imediato de todos os deslocamentos forçados na Cisjordânia e o retorno seguro de todos os palestinos removidos.
Eles conclamam Estados e instituições internacionais a cumprirem obrigações legais, investigarem as violações e cessarem qualquer colaboração com Israel enquanto a ocupação persistir sem responsabilização efetiva.
O grupo inclui Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Paula Gaviria Betancur, relatora sobre pessoas deslocadas internamente, Michael Fakhri, relator sobre o direito à alimentação, e Reem Alsalem, relatora sobre violência contra mulheres e meninas.
Eles reiteram que a ocupação israelense do território palestino permanece ilegal sob o direito internacional e que toda assistência externa ou cooperação deve ser revisada até que haja pleno respeito aos direitos humanos e justiça para as vítimas.
Com informações de aljazeera.com.
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