4,4% de toda a eletricidade consumida nos EUA já vai para data centers — e pode chegar a entre 6,7% e 12% até 2028, segundo o Departamento de Energia americano. A infraestrutura de inteligência artificial está se tornando um colossal consumidor de recursos energéticos.
A demanda pelo consumo elétrico é impulsionada por mega projetos de IA que drenam energia como usinas nucleares. Um estudo recente estima que até 2035 os data centers exigirão uma capacidade instalada por volta de 106 gigawatts apenas nos EUA, revisão de crescimento de 36% em relação às expectativas de meses anteriores.
De Michigan à Virgínia, comunidades têm reagido à sobrecarga provocada por esses gigantes digitais, acusando aumentos nas contas de luz, uso excessivo de água para refrigeração e contaminação. Em Memphis, a empresa xAI — do bilionário Elon Musk — começou a operar turbinas a gás sem licenças adequadas, levantando processo por parte da NAACP e de grupos ambientais por danos ambientais e por injustiça social.
Outro nó crítico da cadeia é o atraso no fornecimento de componentes eletroeletrônicos — transformadores, painéis de distribuição, sistemas de armazenamento. O déficit de oferta interna é tão grande que empresas precisam esperar anos para conectar-se à rede elétrica.
Investidores pressuram gigantes da tecnologia como Amazon, Microsoft e Google a revelarem dados precisos de consumo de energia e água por localidade, numa tentativa de aumentar a transparência, onde reina a falta de informações confiáveis. Estudos recentes sugerem que os data centers americanos consumiram entre 731 e 1.125 milhões de metros cúbicos de água em 2024–2030 apenas para refrigeração.
No plano político, estados como Washington estão recuando em incentivos fiscais generosos. O governador assinou legislação que reduz a isenção do imposto sobre vendas para substituição de equipamentos em data centers existentes, medida que eleva custos e pode frear parte da expansão acelerada.
Em diversos municípios, a reação pública cresce. Em Colorado Springs, um centro proposto reuniu cerca de 180 pessoas em reunião comunitária lotada, exigindo maiores estudos de impacto. No Michigan, urn township foi processado — por moradores e pelo poder público — diante da promessa de impacto ambiental e alta no custo da eletricidade.
O uso de água para refrigeração nos data centers alimenta graves tensões em regiões marcadas por escassez hídrica, especialmente nas Grandes Planícies e no Oeste dos EUA, onde o recurso já é disputado entre agricultura, abastecimento público e agora pela infraestrutura de IA.
E daí? A expansão desenfreada das gigafábricas de IA nos EUA não é apenas custo de luz; é risco climático, social e político. Quanto mais esses empreendimentos crescerem sem planejamento sustentável, mais ficará claro que nossa capacidade institucional de impor limites — via regulações, licenças, participação popular — está sendo corroída pelas elites tecnológicas. Precisamos de uma revolução de IA com soberania tecnológica, justiça ambiental e responsabilidade. Uma revolução que devore eletricidade, água e comunidades sem retorno plural será golpe contra o direito internacional, o clima e a democracia.
Com informações de xpert.digital.