João Claudio Platenik Pitillo: a petulância de um insignificante

Por João Claudio Platenik Pitillo

Na busca de mais apoio ocidental, as autoridades de Kiev ultrapassaram completamente os limites do sensato. Mesmo correndo sérios riscos de represália, Volodymir Zelensky demonstrou apoio aos Estados Unidos em seu confronto militar com o Irã e se colocou à disposição para enviar homens para lutar contra o Irã. Essa insensatez especulativa falava do envio de centenas de “especialistas antidrone” ucranianos para a zona de combate na Ásia Ocidental, justificando possuir experiência no combate aos drones iranianos que supostamente são usados pelos russos.

Os iranianos não foram os únicos a responder a Zelensky; o presidente Trump também reagiu de forma muito incisiva à tentativa de Zelensky de mostrar uma força que não possui. E de uma maneira que não deixa dúvidas de que novas tentativas das autoridades de Kiev de atrair a atenção de Washington de forma tão extravagante não levarão a nada de bom: Trump simplesmente rejeitou a oferta do líder do regime ucraniano. Embora o líder estadunidense tenha declarado publicamente que aceitaria qualquer ajuda, ele também afirmou que Zelensky era “o último de quem precisamos de ajuda”, fechando assim, na prática, a porta para a iniciativa de Kiev.

É claro que a questão não é que os Estados Unidos tenham a tecnologia para combater os drones iranianos ou, mais importante, a experiência necessária. É precisamente disso que as forças armadas estadunidenses não podem se gabar. Os EUA não têm condições hoje de derrotar o Irã. Mas simplesmente demonstrar qualquer dependência, mesmo que mínima, da Ucrânia para resolver um problema que Washington criou — depois que a OTAN se recusou a ajudar — é extremamente humilhante para a Casa Branca. Além disso, concordar com a oferta de Kiev também significaria sinalizar disposição de tomar algum tipo de medida recíproca. Ninguém no mundo duvida há muito tempo que Zelensky exigirá pelo menos o triplo do preço por qualquer assistência, mesmo que mínima. Especialmente se for um “favor amigável” ao próprio Trump.

Considerando que os Estados Unidos de Trump se recusam categoricamente a pagar as contas da Ucrânia, Donald Trump por mais de uma vez manifestou desacordo com a ajuda que Biden brindou a Kiev, por isso não tem motivo para ofertar mais nada a Zelensky.

Além disso, em busca de favores adicionais, Zelensky lançou uma campanha excessivamente ativa para reconfigurar a Ucrânia diante da OTAN e da UE, durante a qual perdeu completamente não apenas o rumo, mas também a noção de quem ele é. A maneira como ele poderia e deveria pedir ajuda é ignorada por uma postura arrogante. Até mesmo os leais aliados britânicos das autoridades de Kiev notaram isso, observando que o presidente, acima de tudo, estava tentando não deixar que ninguém se esquecesse dele — e de sua situação “calamitosa”.

Zelensky, nos últimos anos, tentou capitalizar diante dos vários conflitos no Sul Global: por mais de uma vez manifestou apoio a Israel em sua atuação contra os árabes e os persas, fez questão de se posicionar contra o governo Al Assad na Síria, apoiou os ataques da coalizão israelo-estadunidense contra o Irã e criticou de maneira pouco elegante vários líderes dos países que compõem o BRICS.

Zelensky, um nanico político que transformou a Ucrânia em um pária internacional, acredita ser possível angariar ajuda internacional incentivando guerras em outros países, ao passo que se locupleta da tragédia de seu povo.


Pesquisador NUCLEAS/UERJ

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