A Petrobras aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, conhecida como UFN-III, localizada em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.
O projeto, paralisado desde 2015, deve entrar em operação comercial em 2029 com investimento estimado em US$ 1 bilhão, conforme autorizou o Conselho de Administração da empresa. A decisão baseou-se em avaliação interna que confirmou a viabilidade técnica e econômica do empreendimento.
As obras devem ser reativadas ainda neste semestre e vão mobilizar cerca de oito mil empregos diretos e indiretos.
A planta terá capacidade para produzir diariamente 3.600 toneladas de ureia e 2.200 toneladas de amônia, com aproximadamente 180 toneladas diárias de amônia excedente destinadas à comercialização. A localização estratégica, próxima aos grandes centros consumidores das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, foi um dos fatores determinantes para a aprovação do projeto.
Conforme detalhou a CartaCapital, a UFN-III recebeu atenção renovada a partir de 2023 diante da dependência nacional por importações de fertilizantes nitrogenados, essenciais à produção agrícola.
O país importa parcela significativa desses insumos, o que expõe o agronegócio a variações de preço e riscos de desabastecimento no mercado global. A retomada alinha-se ao plano estratégico da Petrobras e aos objetivos de fortalecer a segurança alimentar por meio de maior produção nacional.
Projeções divulgadas no final de 2024 indicavam investimento da ordem de R$ 3,5 bilhões, com operação prevista para 2028 e capacidade anual aproximada de 1,2 milhão de toneladas de ureia.
Os números foram ajustados para o cenário atual, com custo elevado a US$ 1 bilhão e cronograma estendido para início em 2029. A produção diária de amônia totaliza 2.200 toneladas, das quais a maior parte será convertida internamente em ureia, enquanto o excedente de 180 toneladas por dia segue disponível para venda.
A iniciativa deve reduzir a necessidade de importações de ureia e amônia, insumos essenciais para o agronegócio. Essa redução mitiga riscos associados à volatilidade internacional de preços e a potenciais interrupções no suprimento, contribuindo para maior estabilidade no custo de produção agrícola.
A planta reforça a relevância regional ao atender diretamente os principais polos de consumo do país.
Os impactos econômicos em Três Lagoas e arredores incluem ampliação de infraestrutura, capacitação de mão de obra e desenvolvimento da cadeia de fornecedores locais.
Setores como transporte, serviços e comércio devem registrar crescimento indireto com a mobilização de milhares de trabalhadores durante a fase de construção e, posteriormente, na operação da unidade. A geração de empregos diretos e indiretos representa um dos principais legados do projeto para o Mato Grosso do Sul.
A decisão marca avanço concreto na estratégia de fortalecer a capacidade industrial nacional em fertilizantes nitrogenados.
Com produção anual projetada em escala significativa, a UFN-III contribui para consolidar autonomia no suprimento de insumos críticos ao setor agropecuário. O projeto foi hibernado por quase uma década e sua retomada reflete avaliação atualizada sobre a demanda sustentada por fertilizantes no país.
Especialistas acompanham de perto a execução, dada a complexidade de obras dessa magnitude e o histórico de paralisação.
Mesmo com ajustes no cronograma e no valor do investimento, a UFN-III permanece como iniciativa estratégica para o equilíbrio entre produção agrícola e soberania sobre insumos fundamentais. A Petrobras reforça assim seu papel no desenvolvimento de cadeias produtivas ligadas ao agronegócio nacional.
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