BRICS+ cresce forte e desafia ordem global com números contundentes

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 14/04/2026 06:56

40% do PIB mundial em paridade de poder de compra (PPC) — essa é a representatividade que o BRICS+, ampliado para incluir novas nações, já ostenta hoje. De acordo com projeções recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), o grupo elevou sua participação econômica global de cerca de 40% para aproximadamente 41%. Em 2024, enquanto a economia mundial cresceu em média 3,3%, os países do BRICS+ registraram crescimento médio de 4,0%, superando a média global de maneira consistente.

Demograficamente, o bloco congrega mais de 40% da população mundial. A China permanece como principal potência econômica interna do grupo, respondendo por cerca de 19,6% do PIB global; a Índia contribui com aproximadamente 8,5%, seguida pelo Brasil, que representa cerca de 2,3%.

Economias como Etiópia, Indonésia e os Emirados Árabes Unidos destacam-se dentro do bloco pelo crescimento sustentável, com projeções para 2025 variando entre 4,0% e 6,6%. Esse desempenho reforça não apenas o impulso econômico intrabloco, mas também a sua capacidade de redefinir horizontes de desenvolvimento global.

No comércio internacional, o BRICS+ detém cerca de 20% das trocas globais. Em 2024, a corrente comercial entre Brasil e os demais membros ultrapassou US$ 200 bilhões, somando mais de um terço do total exportado e importado pelo Brasil — um dado que evidencia a relevância mútua nos fluxos econômicos.

Territorialmente, as nações que compõem o bloco ocupam aproximadamente 36% do território global. Detêm reservas estratégicas significativas de petróleo, gás natural e minerais críticos. O grupo também adota respostas conjuntas a sanções, ajustes nos preços de energia e disputa geopolítica — evidências claras de que busca autonomia além da influência ocidental, estabelecendo novos polos de poder.

Uma face decisiva dessa nova ordem emergente é financeira. No BRICS+, há esforços concretos para criar alternativas ao dólar como moeda de reserva e como meio de liquidação internacional. A expansão de acordos bilaterais em moedas locais, mecanismos de compensação externos ao sistema liderado pelos Estados Unidos e declarações formais por parte de seus membros demonstram que a moeda americana enfrenta uma contestação estrutural, ainda que gradual. Ainda assim, no curto prazo ou em momentos de crise, sua liquidez, profundidade e confiança internacional permanecem superiores.

No campo institucional, o bloco não pretende assumir vocação militar ou buscar dominação formal; mas sua atuação cresce em energia, comércio exterior e diplomacia estratégica. A adesão de Estados como Arábia Saudita, Egito, Irã e Etiópia, em 2023, consolidou uma nova configuração. Juntos, respondem por parcelas significativas da oferta global de petróleo e gás, tornando-se interlocutores centrais em questões globais.

Esse conjunto de fatores reforça que o projeto de ordem unipolar ou hegemonia exclusiva dos Estados Unidos vive processo de erosão. Sua capacidade de impor soluções definitivas em conflitos recentes mostra-se limitada. Um exemplo é a trégua alcançada entre EUA e Irã, que evidencia como a diplomacia global exige agora consensos mais amplos e parcerias estratégicas — não imposições.

O que está em jogo? O BRICS+ tornou-se vetor estrutural de mudança global. Com crescimento médio de cerca de 4,0% ao ano frente aos 3,3% globais, oferece ao Sul Global uma alternativa em moeda, governança e diplomacia. A ordem multipolar deixa de ser abstração: impacta negociações no FMI e no Banco Mundial, segurança energética, fluxos de investimento, soberania tecnológica e defesa contra sanções. O peso econômico e demográfico torna o bloco não apenas uma sigla, mas uma força com consequências diretas para o Brasil tanto em comércio exterior quanto em sua autonomia internacional.

Com informações de www.brasil247.com.

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