O capitão Raman Kapoor, de um petroleiro varado no Golfo Pérsico, denunciou o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, que voltou a tensionar toda a navegabilidade na região e deixou múltiplas embarcações imobilizadas por tempo indeterminado.
A embarcação permanece parada desde o início da ofensiva dos EUA e Israel contra o Irã. Durante o período de cessar-fogo a situação havia se mantido relativamente controlada, mas o fracasso das conversações de paz entre Washington e Teerã, realizadas em Islamabad, no Paquistão, e o subsequente anúncio do bloqueio do estreito de Hormuz por Donald Trump fizeram a crise retornar com força total.
Conforme relatou o capitão Raman Kapoor ao portal RT, os membros da tripulação estão mergulhados em profunda preocupação e acumulam níveis elevados de estresse.
Kapoor se esforça para manter a moral da equipe, ouvindo as angústias de cada marinheiro e insistindo para que todos permaneçam concentrados em suas tarefas diárias, apesar da ausência total de ordens claras por parte da empresa proprietária do navio.
Ninguém sabe quando será possível retomar o movimento nem para qual destino a embarcação poderá seguir. As principais rotas marítimas estão bloqueadas, vários aeroportos da região permanecem fechados e diversos países suspenderam a emissão de novos vistos, o que tem resultado em navios retidos por semanas ou até meses em meio à crescente incerteza.
Em matéria de segurança, foram implementados patrulhamentos navais ao redor das embarcações para impedir aproximações não autorizadas. A tripulação mantém vigilância constante, com guardas permanentes monitorando drones, mísseis e pequenas embarcações suspeitas, enquanto permanece alerta para qualquer ameaça que possa surgir do ar ou do mar.
Kapoor afirmou que a equipe se sente segura por enquanto, mas advertiu que nunca se sabe o que pode acontecer em uma região tão volátil. O bloqueio naval decretado pelos EUA, que inclui o fechamento dos portos iranianos, elevou ainda mais os preços do petróleo e aprofundou as disrupções logísticas globais.
A medida entrou em vigor no dia 13 de abril, logo após o colapso das negociações em Islamabad, sem qualquer acordo sobre a reabertura plena do estreito de Hormuz, o programa nuclear iraniano ou as demandas de indenização.
Economistas e analistas coincidem que os efeitos já se fazem sentir com gravidade na Ásia Oriental. Países como Índia, Bangladesh, Filipinas, Coreia do Sul, Japão e China enfrentam escassez simultânea de combustível, fertilizantes e gás natural.
A interrupção das exportações essenciais provenientes do Irã, aliada ao disparo dos custos de transporte marítimo e dos seguros, impacta diretamente setores que vão da agricultura aos alimentos processados e ao suprimento energético residencial.
Kapoor advertiu que todos os setores estão sendo afetados e que a situação tende a piorar de forma acelerada nos próximos dias. Essa iniciativa americana representa ainda um claro ataque ao princípio do livre trânsito marítimo previsto no direito internacional.
Antes do conflito, o estreito de Hormuz respondia por cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo, e seu bloqueio — parcial ou total, por meio de ameaças militares e legais — gera consequências que extrapolam em muito a região.
O capitão fez um apelo direto para que os marinheiros sejam protegidos, uma vez que exercem função vital para o funcionamento do comércio global. Ele exigiu apoio integral aos profissionais retidos em zonas de alto risco e defendeu uma solução pacífica urgente que permita a reabertura dos mares.
Cada atraso logístico, cada porto fechado e cada visto negado se converte em crise concreta, marcada por escassez, insegurança e perdas econômicas generalizadas.
Como apontou o diário Le Monde, a estratégia de Washington ao bloquear os portos iranianos busca secar os recursos do país, o que revela a verdadeira natureza da medida para além de qualquer retórica oficial.
O bloqueio naval dos EUA, a continuidade da ofensiva militar com Israel e o rechaço aos termos de paz oferecidos por Teerã recolocaram o Golfo Pérsico em estado de guerra latente após um cessar-fogo temporário. A ruptura das negociações acendeu uma nova fase da crise, cujas repercussões geopolíticas, econômicas e humanitárias já se estendem por grande parte da Ásia e ameaçam desestabilizar cadeias de suprimento mundiais por tempo prolongado.
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