Com 254 km de areia ininterrupta, a Praia do Cassino, no extremo sul do Rio Grande do Sul, foi reconhecida em 1994 pelo Guinness World Records como a maior praia contínua do mundo. A faixa vai do Molhes da Barra, em Rio Grande, até o Chuí, na fronteira com o Uruguai.
Diversas medições confirmam esse valor, enquanto outras sugerem distâncias menores, na faixa dos 212 km. A discrepância reflete critérios variados de medição: alguns consideram somente a faixa de areia visível durante a maré baixa; outros incluem recifes, dunas ou parte das margens costeiras adjacentes.
A praia mantém grande parte de sua extensão em estado selvagem, com ecossistemas preservados. Em alguns trechos, sua largura ultrapassa 200 metros, margeada por áreas como o Taim e o Deserto do Albardão. Próxima à área urbana, concentra-se infraestrutura turística: bares, hotéis e restaurantes voltados para visitantes que chegam especialmente durante o verão.
Historicamente, Cassino se destaca como o primeiro balneário marítimo organizado do Brasil. Fundado em 26 de janeiro de 1890 pela Companhia de Bondes Suburbanos da Mangueira, já possuía hotel de alto padrão, energia elétrica, água encanada e ligação por bondes com o centro de Rio Grande.
Durante o inverno, cerca de 30 mil pessoas vivem ou frequentam a região como moradores fixos; no verão esse número salta para aproximadamente 150 mil, somando turistas e veranistas.
Os usos da praia são diversos: áreas tranquilas servem para observação de fauna e flora; as próximas ao centro têm tráfego de veículos, ampla infraestrutura turística e grande concentração de pessoas. Ondas fortes, águas frias e ventos constantes atraem surfistas, praticantes de kitesurf e windsurf.
Do ponto de vista ecológico, Cassino é estratégica: abriga aves migratórias, funciona como área de formação e estabilização de dunas, além de representar interface entre ecossistemas marinhos e terrestres. Pressões como expansão urbana, tráfego de veículos e proximidade de atividades portuárias têm sido identificadas como ameaças ao seu equilíbrio ambiental.
Mesmo que o título do Guinness não esteja presente nas edições mais recentes — por ausência de menção oficial ou falta de renovação do registro —, o número de 254 km continua sendo referência acadêmica, turística e cultural. A partir desse estatuto simbólico, renovam-se compromissos com políticas públicas costeiras, preservação ambiental e valorização da identidade local.
Reconhecer Cassino como recorde, então, vai além de cifras: significa reforçar responsabilidade ecológica, aprimorar planejamento urbano costeiro e assegurar que o crescimento turístico favoreça o desenvolvimento sustentável e a proteção dos valores naturais.
Com informações de terrabrasilnoticias.com.