A centro-esquerda catarinense formaliza coligação que reúne PT, PSB, PDT, PSOL e PCdoB para disputar o governo estadual e o Senado Federal.
O principal objetivo é construir palanque competitivo para o presidente Lula em um dos estados mais adversos ao campo progressista nos últimos pleitos.
A chapa oficial será anunciada em Florianópolis, com o ex-deputado Gelson Merísio, do PSB, como candidato a governador e a ex-deputada Ângela Albino, do PCdoB, como vice.
Para o Senado foram indicados Décio Lima, do PT, e Afrânio Boppré, do PSOL.
A articulação busca reacender o potencial eleitoral da esquerda em território onde o PT registra derrotas expressivas há anos.
Conforme reportagem da Carta Capital, a aliança não se limita à base tradicional e aposta em nomes com trânsito mais amplo, como Merísio, para ampliar o diálogo com diferentes setores políticos e moderados.
Santa Catarina confirmou perfil hostil ao PT nas últimas eleições presidenciais. No segundo turno de 2022, Lula recebeu 30,73% dos votos válidos contra 69,27% de Jair Bolsonaro. Em 2018, Fernando Haddad obteve 24,08% enquanto Bolsonaro alcançou 75,92%.
Esses números dimensionam o tamanho do desafio que a nova frente progressista pretende enfrentar com organização e unidade partidária.
O atual governador Jorginho Mello, do PL, lidera com folga as pesquisas de intenção de voto.
Levantamento do instituto AtlasIntel mostrou Mello com cerca de 49% dos votos válidos em cenários de primeiro turno, sugerindo possibilidade concreta de reeleição já no primeiro turno. No mesmo estudo, Gelson Merísio apareceu com 13,8% e Décio Lima com cerca de 19,6% em simulações distintas.
A pesquisa ouviu 1.280 eleitores entre 25 e 30 de março e conta com registro no TSE sob o número SC-05257/2026.
A montagem da chapa busca romper o isolamento político da esquerda no estado. A escolha de perfis como Gelson Merísio visa atrair eleitores além do núcleo histórico do PT e do PSOL.
O grupo mantém diálogo aberto com o MDB local e outras siglas de centro moderado. A estratégia considera que a simples demonstração de unidade já ajuda a mobilizar lideranças regionais e a ocupar espaços antes cedidos ao campo conservador.
No plano nacional, a construção de palanques fortes no Sul ganha relevância para o campo progressista. Avanços em Santa Catarina poderiam melhorar a presença do PT e aliados no Congresso Nacional e reforçar influência em instituições como o TSE.
Reduzir as margens de rejeição a Lula no estado seria visto como ganho tanto simbólico quanto prático para outras regiões de disputa acirrada no ciclo eleitoral de 2026.
A aliança representa esforço organizado de reconstrução política em terreno historicamente difícil. Em vez de repetir candidaturas isoladas, a esquerda optou por coligação ampla que une forças para disputar votos de forma mais competitiva.
O desempenho da chapa nos próximos meses indicará se a tática conseguirá encurtar a distância que separa o campo progressista da liderança atual de Jorginho Mello.
Dirigentes envolvidos avaliam que a presença de nomes conhecidos em nível estadual pode ajudar a atrair segmentos como agricultores familiares, parte do eleitorado evangélico e eleitores de centro que rejeitam polarização extrema.
A esquerda catarinense aposta que unidade partidária e ampliação de diálogo podem alterar gradualmente o atual quadro de forças no estado.
Com informações de cartacapital.com.br.
📬 Assine a Newsletter do O Cafezinho
Receba a Manchete do Dia diretamente no seu e-mail, de graça e sem enrolação, todo dia pela manhã. É só colocar o seu e-mail abaixo:
[mailchimp_subscribe_form]