O consumidor brasileiro paga caro: os impostos sobre combustíveis chegam a dobrar o preço final por litro, o que cria impacto imediato no bolso, diferentemente dos Estados Unidos. Lá, as taxações somam poucos centavos por litro; no Brasil, tributos como ICMS, PIS/Cofins e CIDE, além de taxas estaduais, elevam significativamente o custo dos combustíveis.
O parque de refino dos Estados Unidos opera com capacidade instalada de cerca de 18,4 milhões de barris por dia, distribuídos por 132 refinarias espalhadas por toda a federação. O Brasil dispõe de 18 refinarias — dez sob comando da Petrobras — e capacidade para processar aproximadamente 2,3 milhões de barris/dia. A diferença absoluta reflete não apenas escala, mas também estratégias divergentes entre os dois países. Segundo dados recentes da EIA, as refinarias americanas mantêm taxas de utilização acima de 85%, aproveitando ociosidades mínimas. No Brasil, embora a Petrobras tenha atingido fator de utilização total médio de 92% entre 2023 e 2025, o parque nacional como um todo operou com cerca de 82% em 2024.
Nos EUA, o mix médio de produção confere cerca de 43% de gasolina para automóveis, 30–31% de diesel, além de 6% de querosene de aviação,.GLp, asfaltos, coque e outros derivados. Esse perfil favorece veículos leves e políticas ambientais que exigem baixos teores de enxofre nos combustíveis. No Brasil, o diesel S-10 — de maior consumo nacional — cresceu mais de 20% desde 2022, atingindo capacidade inédita de 452 mil barris/dia. Proporções de produção variam bastante conforme perfil regional e limitações logísticas internas, embora a gasolina também tenha avançado.
Outra diferença substancial está nas políticas de biocombustíveis. Nos EUA, o Renewable Fuel Standard (RFS) impõe cotas obrigatórias anuais que refinarias devem cumprir, misturando combustíveis fósseis com etanol de milho, biodiesel ou combustíveis renováveis avançados. Para 2026, a exigência para misturas de biocombustíveis em gasolina e diesel foi fixada em quase 102,27 bilhões de litros — o maior volume até hoje. O biodiesel, em especial, precisa expandir mais de 60% em relação ao volume de 2025. No Brasil, embora a produção de etanol tenha atingido recorde de 36,94 bilhões de litros em 2024, não há mandato equivalente que obrigue refinarias ou produtoras a quotas rígidas, e os ajustes nas proporções entre etanol anidro e hidratado seguem negociação política sem imposição legal.
No varejo, os custos finais divergem ainda mais. Nos Estados Unidos, impostos e taxas federais e estaduais sobre gasolina e diesel somam poucos centavos de dólar por litro. No Brasil, parcelas tributárias elevadas representam diferença de aproximadamente R$ 2,00 a R$ 2,50 por litro atribuída somente aos tributos, segundo comparação entre preços convertidos para o real feita em abril de 2022 — variação que incide diretamente sobre o consumidor.
A infraestrutura de distribuição também marca contraste. Nos EUA, oleodutos e transporte marítimo interno (cabotagem) respondem por grande parte da movimentação de combustível refinado, reduzindo a dependência de transporte rodoviário. No Brasil, distâncias continentais, relevo complexo e estradas com infraestrutura desigual forçam o uso intenso de caminhões, barcaças e combinação de modais, elevando custos logísticos e perdas na cadeia.
Essas diferenças estruturais — escala de refino, eficiência operacional, obrigação legal de uso de renováveis, carga tributária e infraestrutura logística — moldam o grau de autonomia energética e vulnerabilidade externa de cada país. Mesmo produzindo recordes de petróleo bruto e ganhando eficiência de refino, o Brasil continua importando parcela significativa de diesel e gasolina para suprir a demanda interna. Os EUA, por sua vez, reagem mais rápido a choques globais de oferta ou elevação internacional dos preços do petróleo graças ao parque robusto, mandatos legais fortes para renováveis, impostos mais baixos e logística eficiente.
Com informações de valor.globo.com.