A Petrobras fechou o primeiro trimestre de 2026 como a petroleira ocidental mais lucrativa entre as grandes companhias do setor.
O resultado coloca a estatal brasileira à frente de gigantes como Shell, Exxon Mobil e BP, em um momento em que energia voltou a ocupar o centro da disputa econômica global. Segundo levantamento da Elos Ayta divulgado pelo Brazil Stock Guide, a Petrobras registrou lucro líquido de US$ 6,25 bilhões no período. A Shell veio depois, com US$ 5,69 bilhões, seguida por Exxon Mobil, com US$ 4,18 bilhões, e BP, com US$ 3,84 bilhões.
A liderança tem peso simbólico e estratégico. Em um setor dominado historicamente por grandes petroleiras dos Estados Unidos e da Europa, a Petrobras aparece no topo da amostra de empresas ocidentais avaliadas em mais de US$ 50 bilhões. O recorte exclui companhias de outras regiões com escala própria, como a Saudi Aramco, que opera em outro patamar global.
Em reais, o lucro líquido da Petrobras foi de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre, equivalente a US$ 6,2 bilhões. O número representa alta de 110% em relação ao quarto trimestre de 2025, embora tenha ficado 7,2% abaixo do resultado registrado no mesmo período do ano anterior.
A aparente contradição se explica por dois fatores. O primeiro é cambial. A valorização do real frente ao dólar aumentou o peso do lucro da Petrobras na comparação internacional. O segundo é operacional. A companhia ampliou produção, vendeu mais derivados e manteve forte geração de caixa, mesmo antes de capturar totalmente a alta recente do petróleo provocada pela tensão no Oriente Médio.
A própria Petrobras informou que a produção total própria cresceu 16% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A empresa também registrou recordes de produção total operada, produção total própria e produção própria no pré-sal, que chegou a 2,66 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
Esse é o ponto central da notícia. A Petrobras não liderou apenas por causa do câmbio. Ela liderou porque controla uma das fronteiras petrolíferas mais competitivas do mundo. O pré-sal brasileiro combina escala, produtividade e qualidade das reservas, elementos que reduzem custos relativos e aumentam a capacidade de geração de caixa.
No trimestre, o EBITDA ajustado da Petrobras foi de R$ 59,6 bilhões, ou US$ 11,3 bilhões. Excluindo eventos exclusivos, o EBITDA ajustado chegou a R$ 61,7 bilhões. A empresa também reportou fluxo de caixa operacional de R$ 44 bilhões e investimentos de R$ 26,8 bilhões, alta de 25,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
A comparação com as rivais mostra a dimensão do resultado. A Shell reportou lucro de US$ 6,9 bilhões no primeiro trimestre de 2026 em sua métrica ajustada, impulsionada por trading e refino em meio à volatilidade global, mas o levantamento citado pelo Brasil 247 considera o lucro líquido comparável, no qual a Petrobras aparece à frente.
A Reuters registrou que o lucro da Petrobras ficou abaixo das expectativas do mercado porque o impacto da disparada do petróleo após o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã ainda não havia entrado plenamente nos resultados. Segundo a agência, os efeitos da alta devem aparecer com mais força no segundo trimestre, já que parte das exportações da companhia é precificada com defasagem.
Esse detalhe aumenta a importância do desempenho. Mesmo sem capturar integralmente o barril mais caro, a Petrobras já superou grandes concorrentes ocidentais em lucro líquido. Em um cenário de Brent acima de US$ 100 após o fechamento do Estreito de Hormuz, a estatal pode ganhar ainda mais relevância para investidores e para a política energética brasileira.
A companhia também aprovou R$ 9 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio. Ao mesmo tempo, informou ter retornado R$ 72,4 bilhões à sociedade no primeiro trimestre por meio de tributos, royalties e participações especiais pagos à União, estados e municípios.
Esse dado é decisivo para o debate nacional. A Petrobras não é apenas uma empresa listada em bolsa. É uma infraestrutura estratégica do Estado brasileiro. Seus resultados financiam acionistas, mas também irrigam orçamento público, municípios produtores, estados, cadeias industriais e investimentos de longo prazo.
A liderança global no trimestre também recoloca o debate sobre soberania energética. Quando uma empresa brasileira supera Exxon, Shell e BP em lucro, o país ganha uma demonstração concreta do valor econômico do pré-sal e da importância de manter capacidade nacional sobre exploração, produção, refino, tecnologia e planejamento energético.
A disputa, porém, não é simples. A Petrobras precisa equilibrar remuneração a acionistas, investimentos em novas fronteiras, abastecimento interno, transição energética, pressão por preços de combustíveis e defesa do interesse nacional. Esse equilíbrio define se a companhia será tratada apenas como pagadora de dividendos ou como instrumento de desenvolvimento.
O resultado do primeiro trimestre mostra que a estatal segue altamente lucrativa, mesmo em ambiente instável. Também mostra que o Brasil possui um ativo raro: uma petroleira integrada, com reservas relevantes, escala operacional e capacidade de competir com gigantes globais.
No fim, a liderança da Petrobras entre as grandes petroleiras ocidentais não é apenas um número de balanço. É um recado político e econômico. O pré-sal colocou o Brasil em uma posição que poucos países têm: a de produtor relevante, com empresa nacional forte e capacidade de transformar petróleo em caixa, investimento, arrecadação e poder estratégico.