FMI corta previsão de crescimento global para 3,1% devido ao bloqueio no Estreito de Hormuz

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 14/04/2026 18:51

O Fundo Monetário Internacional cortou sua previsão de crescimento da economia mundial para 3,1% em 2026. A entidade divulgou o novo número em seu relatório World Economic Outlook nesta terça-feira.

O ajuste reflete o forte impacto do bloqueio do Estreito de Hormuz, que elevou os custos globais de energia, gás natural e fertilizantes de forma significativa.

Conforme detalhou o portal Al Jazeera, a estimativa anterior era de 3,3%. A revisão ocorre após o início do conflito entre os EUA e o Irã em 28 de fevereiro, que provocou a interrupção do tráfego comercial no estreito por onde circula cerca de 20% do óleo bruto e do gás natural liquefeito mundial.

A inflação global foi revisada para 4,4%, representando alta de 0,6 ponto percentual ante a previsão de janeiro. O encarecimento do petróleo, do gás natural e dos fertilizantes explica diretamente o movimento inflacionário.

O FMI adverte que o impacto será “altamente desigual”, com países vizinhos ao conflito, economias emergentes e nações de baixa renda dependentes de importações sofrendo os piores efeitos.

No Oriente Médio e Norte da África, o crescimento foi rebaixado para 1,1%. Na região que inclui o Oriente Médio e a Ásia Central, a projeção caiu para 1,9%. A Arábia Saudita teve sua previsão reduzida de 4,5% para 3,1% em razão do choque energético e das interrupções nas exportações. O bloco do euro deve crescer apenas 1,1%, contra os 1,3% estimados no início do ano.

A República Islâmica do Irã, alvo direto da agressão militar liderada pelos EUA, registrará contração de 6,1% no PIB — uma revisão negativa de 7,2 pontos percentuais em relação às estimativas anteriores, reflexo do peso imposto pelo conflito sobre sua economia.

Em cenários mais adversos, caso o conflito se prolongue e o bloqueio persista, o crescimento global pode cair para cerca de 2%, com inflação se aproximando de 6%. Essa combinação colocaria diversos países em risco de estagnação econômica ou recessão técnica.

Os riscos adicionais envolvem fuga de capitais, elevação dos prêmios de risco e valorização do dólar, o que tornaria mais difícil para economias vulneráveis sustentarem suas dívidas externas.

Uma das preocupações centrais é o efeito sobre a segurança alimentar global. Cerca de um terço da produção mundial de fertilizantes passa pelo Estreito de Hormuz. O bloqueio já elevou os custos dos insumos agrícolas e criou riscos graves para nações de baixa renda dependentes dessas importações.

O FMI enfatiza que as medidas de política econômica precisam equilibrar o combate à inflação com a preservação do crescimento, especialmente nos países com menor margem fiscal.

Os bancos centrais enfrentam um dilema: ao elevar juros para conter preços, podem aprofundar a desaceleração. Os apoios emergenciais devem ser direcionados e temporários.

A entidade projeta que os preços do petróleo e do gás, embora voláteis, tendem a moderar no segundo semestre caso haja cessar-fogo efetivo ou retorno parcial da circulação no estreito. Enquanto a guerra persistir, os choques energéticos continuarão a distorcer cadeias globais, pressionar preços e impedir uma recuperação mais robusta.

Fora das regiões diretamente afetadas, o mundo inteiro sentirá o peso dos custos de vida mais elevados. O principal risco é o lento declínio da atividade econômica global, com repercussões sociais, políticas e econômicas de grande amplitude.

Com informações de aljazeera.com.


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