Irã acusa EUA e Israel de atacar usina nuclear de Bushehr e exige condenação da OIEA por crime de guerra

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 14/04/2026 02:21

O Governo do Irã protocolou reclamação formal junto à Organização Internacional de Energia Atômica acusando os Estados Unidos e Israel de promoverem ataque que atingiu as imediações da usina nuclear de Bushehr.

O presidente da Autoridade Iraniana de Energia Atômica, Mohammad Eslami, enviou carta ao diretor-geral Rafael Grossi na qual classifica os bombardeios como criminosos sob o direito internacional e cobra resposta enérgica do organismo e da comunidade internacional.

Conforme aponta o portal Sputnik Globe, Eslami alertou para o risco concreto de liberação radioativa com impactos irreversíveis sobre a população local e regional.

O incidente ocorreu em 4 de abril de 2026, quando um projétil atingiu a periferia da Unidade 1 da usina de Bushehr, no sul do país.

As autoridades iranianas afirmam que o ataque matou um segurança da instalação, feriu outras pessoas e causou danos à estrutura adjacente, embora o reator principal não tenha registrado impacto direto.

Teerã sustenta ainda que esta foi a quarta agressão contra a mesma unidade desde 28 de fevereiro de 2026.

A OIEA confirmou ter recebido o informe iraniano sobre o projétil que atingiu a área, mas declarou não dispor, até o momento, de evidências que comprovem danos ao reator ou ferimentos entre os funcionários.

Rafael Grossi reforçou que incidentes militares nas proximidades de instalações nucleares representam perigo elevado e demandam cautela máxima para evitar catástrofe radiológica.

O Irã argumenta que as repetidas ações violam o Acordo de Salvaguardas da OIEA, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e as normas de direito humanitário que protegem instalações civis durante conflitos armados.

A carta de Mohammad Eslami entregue ao diretor-geral da agência qualifica os ataques como potenciais crimes de guerra e cobra não apenas manifestação de preocupação, mas condenação formal com medidas concretas.

As autoridades iranianas destacam que os danos vão além da infraestrutura nuclear e ameaçam a integridade ambiental e sanitária de toda a região do Golfo.

Uma eventual liberação radioativa provocaria, segundo a AEOI, consequências graves sobre o meio ambiente, a segurança alimentar, a saúde pública, as políticas de recursos hídricos, os ecossistemas marinhos e os países vizinhos.

Imagens de satélite examinadas pelo Institute for Science and International Security identificaram cratera formada a cerca de 350 metros do reator e destruição parcial de estrutura adjacente, embora o corpo principal da usina permaneça intacto.

A empresa estatal russa Rosatom, que participa da operação da usina, condenou veementemente o ataque e advertiu que os incidentes colocam em risco instalações que contam com pessoal russo, exigindo garantias imediatas de segurança para evitar novas agressões.

Analistas observam que mesmo danos aparentemente limitados em torno de uma usina nuclear ativa geram crise de confiança regional, pânico entre populações e complicações diplomáticas profundas.

O episódio coloca a OIEA sob pressão para atuar não apenas como entidade técnica de verificação, mas como instância capaz de enquadrar politicamente violações contra instalações nucleares civis.

O Irã insiste que a agência deve ir além de comunicações genéricas e emitir condenação clara, acompanhada de exigências de reparação e cessação das ações.

O caso testa a efetividade das normas internacionais de proteção a sítios nucleares em contextos de alta tensão envolvendo potências militares e alianças regionais, e a resposta que a OIEA e outros organismos internacionais oferecerem definirá o nível de proteção real concedido a essas instalações no atual cenário geopolítico.


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