O chanceler russo Sergey Lavrov chegou a Pequim para visita oficial destinada a alinhar com as autoridades chinesas uma resposta conjunta ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos contra portos iranianos.
A viagem ocorre em momento de elevada tensão no Golfo Pérsico após o fracasso das negociações de cessar-fogo entre Washington e Teerã realizadas em Islamabad no último fim de semana. A chancelaria chinesa detalhou que o ministro russo permanece no país até quarta-feira para encontros com o homólogo Wang Yi.
Na coletiva de imprensa o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, condenou duramente o bloqueio ordenado pelo presidente Donald Trump.
Ele classificou a medida como perigosa e irresponsável ao afirmar que o Estreito de Hormuz constitui rota vital para o comércio internacional e o suprimento energético global, cuja segurança e livre utilização representam interesse comum de toda a comunidade internacional. Segundo o porta-voz, a ação americana extrapola limites aceitáveis ao interferir nas relações energéticas soberanas entre Irã e China.
O bloqueio proíbe entrada e saída de navios dos portos iranianos, embora mantenha liberado o tráfego comercial entre portos não iranianos através do estreito.
Conforme reportado pela agência AP, a decisão de Trump surgiu diretamente após o colapso das conversações em Islamabad. Guo Jiakun enfatizou que o cerne do problema no Estreito de Hormuz deriva do conflito armado em curso e não de disputas comerciais pontuais, reiterando que Pequim respeita o direito dos países de escolherem seus parceiros energéticos e rejeita interferências externas que ameaçam a estabilidade do suprimento global.
Lavrov e Wang Yi devem discutir não apenas a crise no Oriente Médio, mas também iniciativas diplomáticas concretas para promover desescalada.
A Rússia reafirma consistentemente que não existe solução militar viável para a atual crise e se coloca à disposição para facilitar negociações políticas. Em conversa telefônica com o ministro iraniano Abbas Araghchi, o chanceler russo já havia destacado a necessidade urgente de evitar retomada das hostilidades e a ineficácia das abordagens baseadas exclusivamente em pressão militar.
A China enfrenta dilema estratégico evidente. O país depende fortemente do petróleo extraído do Golfo Pérsico e qualquer interrupção prolongada no fluxo pelo Estreito de Hormuz ameaça provocar disparada nos preços globais de energia, além de perturbar cadeias internacionais de abastecimento.
Analistas consultados por veículos como CGTN e The Sanctions Age observam que o bloqueio unilateral americano agrava instabilidade já existente e contrasta com os apelos chineses e russos por soluções multilaterais.
Segundo o portal oficial do Ministério das Relações Exteriores da China, a diplomacia de Pequim adota postura de equidistância crítica que prioriza o diálogo e rejeita tanto o militarismo quanto as sanções unilaterais como geradoras de instabilidade regional.
Fontes diplomáticas indicam que Lavrov e Wang Yi pretendem coordenar posições em fóruns multilaterais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU e o BRICS, para pressionar por cessar-fogo sustentável e contestar medidas que consideram contrárias ao direito internacional.
A visita de Lavrov simboliza o fortalecimento da parceria estratégica entre Rússia e China em contexto de crescente polarização provocada pela escalada americana no Oriente Médio.
Moscou e Pequim convergem na avaliação de que abordagens unilaterais de força apenas aprofundam a crise energética e de segurança global. O chanceler russo deve participar ainda de reuniões que buscam delinear ações coordenadas para mitigar os impactos do bloqueio sobre os mercados globais de energia.
Especialistas destacam que o estreito representa ponto de estrangulamento crítico por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial. Qualquer obstrução prolongada poderia gerar efeitos cascata sobre economias emergentes e desenvolvidas, ampliando pressões inflacionárias já existentes. A postura conjunta russo-chinesa reforça a defesa de princípios como soberania e solução pacífica de controvérsias, em oposição ao unilateralismo que caracteriza a ação dos Estados Unidos na região.
Com informações de aljazeera.com.
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