O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, exerça controle direto sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ao responder questionamento sobre o tema, o mandatário afirmou que não acredita em controle pessoal, mas identificou uma clara subordinação histórica na relação entre Washington e Tel Aviv.
«Não creio que ele controle Trump, creio que há uma certa subordinação histórica», declarou Lula, conforme registrou o portal Actualidad RT.
A declaração sintetiza a visão do presidente sobre os laços entre os dois países, que segundo ele não se explicam por influências individuais entre líderes atuais, mas por padrões estruturais consolidados ao longo de décadas.
Essa subordinação abrange, segundo Lula, decisões de política externa, cooperação militar, alinhamentos estratégicos e posicionamentos automáticos em fóruns internacionais.
O presidente situou o comentário no contexto mais amplo das relações entre Israel e Estados Unidos, destacando que o padrão persiste independentemente das personalidades no poder e se manifesta de forma consistente em temas sensíveis do Oriente Médio.
Lula tem criticado de forma recorrente a postura de Israel em processos de paz, argumentando que, salvo em governos com genuína vontade de negociar, o país tem historicamente contribuído para o travamento de iniciativas diplomáticas.
Essa análise faz parte de sua crítica mais ampla ao uso de alianças militares como instrumento de imposição de agendas regionais.
O chefe de Estado reafirmou que não endossa todas as políticas do governo iraniano, mas defendeu o respeito à integridade territorial e à autodeterminação dos povos como princípios inegociáveis do direito internacional.
A posição reforça a tradição diplomática brasileira de defesa do multilateralismo e de soluções negociadas para conflitos complexos.
Ao rejeitar a narrativa simplificada de controle pessoal, Lula chamou atenção para os vínculos profundos que unem os Estados Unidos a Israel desde a criação do Estado israelense.
Esses vínculos incluem forte apoio militar, compartilhamento de inteligência e convergência quase automática em temas de segurança regional e global.
O presidente tem insistido que apenas o diálogo respeitoso e o cumprimento de resoluções internacionais podem reduzir as tensões no Oriente Médio.
As declarações refletem a percepção de Lula de que a relação entre Washington e Tel Aviv transcende governos específicos e se insere em uma lógica estratégica de longo prazo, evitando reducionismos e buscando explicar comportamentos recorrentes na política externa americana por fatores estruturais.
Para o presidente, é essencial distinguir entre influência conjuntural e padrões históricos de dependência, reforçando uma leitura crítica do papel das grandes potências e das alianças bélicas como ferramentas de projeção de poder no sistema internacional contemporâneo.
Lula continua a defender que a paz duradoura na região somente será possível com o respeito mútuo à soberania e o abandono de posturas maximalistas, dentro de um ordenamento mundial onde o direito internacional prevaleça sobre interesses unilaterais.
Com informações de actualidad.rt.com.
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