A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou a suspensão da renovação automática do memorando de cooperação militar e de defesa com Israel.
O anúncio ocorreu durante participação no evento Vinitaly, em Verona, e a decisão foi comunicada formalmente ao governo israelense, conforme noticiou o portal ANSA.
O documento original remonta a 2003, quando foi assinado durante o governo de Silvio Berlusconi, e entrou em vigor em 2016 com cláusula de renovação automática a cada cinco anos.
A medida foi tomada de forma colegiada por Meloni junto aos vice-primeiros-ministros Antonio Tajani e Matteo Salvini e ao ministro da Defesa, Guido Crosetto, que enviou carta oficial ao lado israelense.
O memorando regula ampla cooperação nos campos de indústria bélica, intercâmbio de armamentos, pesquisa e desenvolvimento militar, além de programas de formação e treinamento de pessoal.
O governo italiano garantiu que a suspensão do mecanismo de renovação automática não comprometerá a segurança de Israel. O ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, declarou que o memorando “nunca teve um conteúdo concreto”.
A decisão marca um distanciamento político de Meloni em relação ao governo de Benjamin Netanyahu, após críticas italianas às ofensivas militares israelenses no Líbano, que envolveram soldados italianos da missão de paz Unifil.
No parlamento, a oposição elogiou o gesto, embora o considere tardio, enquanto setores mais à esquerda mantêm cobrança por reconhecimento formal do Estado da Palestina.
Especialistas e entidades da sociedade civil questionam os contornos jurídicos da medida. Permanece a dúvida se a suspensão se limita ao fim do caráter automático de renovação ou se representa passo rumo a eventual ruptura do acordo. Tecnicamente, o memorando segue vigente até nova notificação formal por parte de Roma.
O movimento ocorre em contexto de debate crescente na Europa sobre os vínculos militares e políticos mantidos com Israel diante dos conflitos no Oriente Médio.
A iniciativa italiana pode gerar resposta diplomática de Tel Aviv e alterar o padrão das relações bilaterais entre os dois países nos setores de defesa e indústria bélica, reacendendo discussões sobre as responsabilidades de aliados europeus em conflitos armados na região.
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