A Geração Z brasileira, formada por jovens de 18 a 28 anos, busca com intensidade a estabilidade financeira. Ao mesmo tempo, a maioria não confia que o mercado de trabalho atual seja capaz de entregar essa segurança. É o que demonstra o levantamento Gen Z: os novos autores da cultura, realizado pela MindMiners e divulgado pelo Carta Capital.
De acordo com o estudo, 59% dos participantes consideram o mercado pouco ou nada favorável. Essa visão transforma a estabilidade em meta desejada, mas não em expectativa realista.
Para 52% dos jovens, a estabilidade financeira surge como a principal prioridade para os próximos dez anos, seguida pela carreira de sucesso, citada por 34%. Os dados refutam a imagem de uma geração movida apenas por ambição e prestígio, mostrando que prosperidade significa antes de tudo segurança.
Os principais entraves percebidos são os baixos salários, indicados por 48%, a exigência de experiência prévia, mencionada por 39%, a alta concorrência, apontada por 35%, e a falta de networking, destacada por 32%. O networking aparece como obstáculo especialmente relevante para essa geração em comparação com as anteriores.
Mesmo em cenário adverso, 80% dos jovens consideram indispensável investir em educação para construir o futuro profissional. O crescimento pessoal motiva 70% deles, enquanto 63% buscam melhores oportunidades de trabalho e renda. Predomina, porém, a percepção de que diplomas e cursos não bastam para superar barreiras que fogem do controle individual.
Planos tradicionais como a compra da casa própria e a conquista da autonomia financeira foram adiados. O levantamento revela que 52% dos jovens ainda moram com os pais, situação que reflete a insegurança econômica e as dificuldades para gerar renda estável.
O empreendedorismo atrai 39% dos entrevistados como via alternativa. Setores de tecnologia e digital são vistos como grandes oportunidades por 41%, e a economia criativa — que abrange conteúdo, jogos, música e design — representa o sonho de 28%. Ainda assim, o risco financeiro e a ausência de renda fixa geram receio em jovens que cresceram em ambiente de instabilidade.
Valores pessoais superam o sucesso corporativo tradicional. Para 47% da Geração Z, o sucesso profissional é importante, mas fica atrás de saúde, família e estabilidade financeira.
Para esses jovens, sucesso significa alcançar segurança emocional sustentada por bases econômicas sólidas. Carreira com propósito, equilíbrio entre vida e trabalho e remuneração justa pesam tanto quanto especializações ou status.
A diretora de Excelência do Cliente e Expansão da MindMiners, Rosana Camilotti, resume o momento ao afirmar que “a Gen Z entra no mercado em um momento mais desafiador, com menor previsibilidade de renda e maior competição por vagas, o que impacta diretamente a confiança no futuro profissional”.
O retrato é o de jovens pragmáticos, conscientes das limitações do ambiente profissional e céticos em relação às promessas do mercado. Dispostos a buscar caminhos concretos, eles combinam investimento em qualificação com busca por alternativas como o empreendedorismo e setores criativos. O estudo da MindMiners ilustra dilemas que envolvem tanto escolhas individuais quanto desafios estruturais na inserção dessa geração no mundo do trabalho.
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