A União Europeia já desembolsou cerca de 22 bilhões de euros em custos extras com combustíveis fósseis desde o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, aproximadamente 44 dias após o fechamento do Estreito de Ormuz.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, advertiu que esse impacto direto na conta energética continua a pesar mesmo se as hostilidades cessarem imediatamente, pois as perturbações no Golfo persistirão por algum tempo. A informação foi divulgada pelo portal RT.
Esse montante equivale a um gasto médio de 500 milhões de euros diários e reflete apenas os custos de energia decorrentes do aumento dos preços do petróleo e do gás natural.
Nos primeiros dez dias do conflito, o bloco já havia pago três bilhões de euros a mais apenas para comprar combustível fóssil, revelando como cada dia de instabilidade altera profundamente o orçamento energético europeu.
Os preços elevados do gás natural desempenham papel central nessa crise. Na bolsa de referência TTF, os contratos atingiram níveis quase três vezes superiores aos observados antes do conflito, gerando forte pressão sobre os preços da eletricidade residencial e os custos de produção industrial.
O preço do gás na Europa avançou 45% desde o começo da ofensiva contra o Irã.
A crise já chega ao cotidiano dos europeus. O valor da gasolina e do diesel disparou em vários países do bloco, ultrapassando dois euros por litro em diversas regiões. Em algumas províncias, o litro do combustível comum já é comercializado entre 1,90 e dois euros.
A inflação energética impulsionada pelo encarecimento do gás pressiona famílias e empresas ao mesmo tempo. Governos recorrem a subsídios emergenciais, cortes fiscais, ajudas diretas e planos de redução de consumo.
Nos corredores de Bruxelas, ganha força a percepção de que apenas ação coordenada e urgente poderá limitar os estragos. A Comissão prepara pacote de medidas emergenciais que inclui liberação conjunta das reservas de petróleo, flexibilização temporária das regras fiscais para viabilizar ajuda estatal, coordenação no preenchimento de reservas de gás antes do inverno e mecanismos que impeçam competição predatória entre os países membros.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, via crucial por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás comercializado mundialmente, eleva os riscos geopolíticos a patamares elevados. A produção dos países da OPEP registrou desplome histórico de 7,88 milhões de barris diários.
Analistas destacam o efeito multiplicador da crise, que alimenta inflação generalizada, perda de competitividade industrial e ameaça real de recessão na eurozona. Cálculos indicam que cada alta de dez dólares no barril de petróleo retira cerca de 0,1 ponto percentual do crescimento econômico regional.
Mesmo diante de cessar-fogo frágil, o risco de recessão moderada segue presente.
A situação expõe a dependência estrutural do continente em relação a combustíveis fósseis importados e revela a fragilidade de um modelo energético ainda ancorado nessa matriz. Diversificação de fornecedores, ampliação das renováveis e melhoria do armazenamento deixam de ser mera opção para se converter em necessidade estratégica inadiável.
O preço que a Europa paga pela guerra contra o Irã se mede em bilhões de euros, mas também em vulnerabilidades agora escancaradas e em decisões impostas pela realidade.
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