O primeiro vice-presidente da República Islâmica do Irã, Mohammad Reza Aref, acusou os Estados Unidos de funcionarem como sucursal do governo de Israel após o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu revelar que o vice-presidente americano J. D. Vance lhe presta contas diariamente sobre as negociações com Teerã.
Aref classificou a prática como sem precedentes na história das relações internacionais e afirmou que pela primeira vez um alto funcionário de um governo entrega relatórios diários ao líder de outro Estado.
O político iraniano enfatizou que o problema ultrapassa a questão bilateral com o Irã e representa humilhação estrutural que transforma a Casa Branca em mera extensão do executivo israelense.
A polêmica ganhou força quando Netanyahu declarou abertamente que Vance o atualiza sobre os detalhes das conversas realizadas em Islamabad e que o procedimento se repete todos os dias sem exceção.
Aref questionou se os cidadãos americanos compreendem as implicações dessa dinâmica, que revela subordinação política absoluta. Segundo ele, a Casa Branca opera cada vez mais sob agenda Israel First em detrimento de qualquer pretensa prioridade nacional americana.
Legisladores democratas no Congresso americano manifestaram preocupação com o comprometimento da independência institucional dos EUA diante de relatório rotineiro prestado a líder estrangeiro.
Analistas destacam que não existe base constitucional para que o vice-presidente mantenha canal direto e diário de prestação de contas a primeiro-ministro de outro país. O vice-presidente responde ao presidente dos Estados Unidos e ao eleitorado americano, e não a Tel Aviv.
A administração Trump confirmou a existência de comunicações frequentes entre Vance e Netanyahu sobre o dossiê iraniano, mas evitou responder diretamente às acusações de perda de soberania.
Como detalhou o portal Anadolu Agency, as declarações de Netanyahu provocaram forte reação tanto em Washington quanto em Teerã.
Aref advertiu que qualquer negociação com o Irã estará condenada ao fracasso enquanto os EUA permanecerem presos a essa hierarquia não declarada que coloca os interesses israelenses acima de tudo.
O episódio expõe as contradições profundas da política externa americana, que costuma dar lições de soberania e independência ao mundo enquanto demonstra vassalagem explícita a Israel. Bilhões em ajuda militar anual e veto sistemático a qualquer crítica a Tel Aviv na ONU ilustram o grau de influência que o aliado exerce sobre decisões críticas de segurança e diplomacia em Washington.
A posição iraniana reflete percepção crescente de que a autonomia americana se encontra seriamente erodida quando o assunto envolve os interesses de Israel.
Aref insistiu que o fenômeno representa degradação da posição global dos Estados Unidos e não mera questão protocolar. O vice-presidente iraniano alertou que essa submissão percebida prejudica a credibilidade de Washington em qualquer foro diplomático e reforça a visão de que a verdadeira agenda é definida em Tel Aviv antes mesmo de chegar à Casa Branca.
O caso segue gerando debates acalorados entre analistas e parlamentares que veem na revelação de Netanyahu mais do que simples indiscrição, mas sintoma de desequilíbrio estratégico profundo.
Com informações de actualidad.rt.com.
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