Nesta terça-feira (14 de abril de 2026), em evento realizado na Torre de TV em Brasília, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lançou a estação de testes da TV 3.0. Também conhecida como DTV+, a tecnologia representa a evolução do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T). A iniciativa é resultado de uma parceria entre a EBC, o Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A nova tecnologia promove a convergência entre radiodifusão e internet para oferecer qualidade superior de imagem e som, além de maior interatividade para os espectadores. Com as mudanças, os canais passarão a funcionar como aplicativos na tela dos televisores. Essa evolução permitirá ao espectador personalizar sua forma de assistir à TV aberta. Por exemplo, ao acompanhar o programa Sem Censura, da TV Brasil, será possível escolher o ângulo da câmera ou ajustar o volume de elementos específicos, como um conjunto musical. No caso de transmissões esportivas, o usuário poderá optar por assistir à partida sob a perspectiva da torcida de seu time no estádio.
Durante o lançamento em Brasília, a presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, afirmou que a TV 3.0 é uma revolução para a radiodifusão, comparável à transição do sistema analógico para o digital. Pellegrino destacou que a tecnologia possibilitará novas formas de consumo de mídia no país, gerando ganhos significativos para o audiovisual, o jornalismo e a democratização da informação. A presidenta reforçou que os canais de comunicação pública têm papel fundamental nos testes devido à sua vocação para a prestação de serviços e disseminação de conhecimento.
Bráulio Ribeiro, diretor de Operações, Engenharia e Tecnologia da EBC, explicou que a tecnologia aproximará a TV aberta de uma experiência conectada e logada, oferecendo conteúdos e vídeos complementares. Para a comunicação pública, o diretor ressaltou que a inovação facilitará o atendimento ao cidadão com a oferta de serviços de utilidade pública baseados em localização, indo além da transmissão de som e imagem.
A implementação da TV 3.0 ocorrerá de forma gradual, em etapas. Após o início dos testes em São Paulo, realizados desde agosto do ano passado, a fase experimental chega agora ao Distrito Federal. O cronograma prevê a expansão para capitais e grandes cidades, seguida por municípios de médio e pequeno porte. Na terça-feira (14), o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, estimou que a implantação completa deve ocorrer ao longo de uma década.
O processo depende de investimentos das emissoras em novos transmissores e equipamentos, além da disponibilidade de aparelhos compatíveis no mercado. O governo federal mantém diálogos com o setor produtivo para viabilizar a fabricação de televisores e conversores, conhecidos como “Set-Top Boxes”. Esses dispositivos serão conectados via cabo HDMI e utilizarão as antenas digitais UHF/VHF atuais. Embora o funcionamento básico não exija internet, o acesso a recursos interativos e streaming demandará conexão via Wi-Fi ou cabo Ethernet.
Octavio Penna Pieranti, conselheiro da Anatel, salientou a importância do projeto dado o alto consumo de televisão aberta no Brasil, onde a média de assistência supera cinco horas diárias. Para o conselheiro, a televisão permanece como o meio de comunicação mais inclusivo do país e a nova plataforma fortalecerá a proximidade entre o Estado e o cidadão por meio da tecnologia digital.
Fonte: Agência Brasil