O agronegócio brasileiro continua a ditar o ritmo da balança comercial, mas os dados aduaneiros mais recentes revelam que poucas mercadorias tiveram um salto tão fenomenal quanto o nosso café. Ao isolarmos ciclos anuais perfeitos, contabilizando sempre o total de fluxo entre abril de um ano e março do seguinte, o desempenho do grão, verde, torrado e em extratos, no comércio exterior consolida um movimento que entorta os gráficos oficiais e mostra o peso crescente desta safra nas riquezas do Brasil.
Entre abril de 2020 e março de 2021, o Brasil faturava pouco mais de US$ 5,7 bilhões anuais vendendo café pelo mundo, o que correspondia a cerca de 2,66% de tudo que o país exportava. Avançando o relógio para o ciclo de abril de 2025 a março de 2026, o cenário foi esmagadoramente pulverizado: faturamos brutos US$ 15,25 bilhões com o grão em apenas 12 meses, saltando a participação do café para notáveis 4,31% de todo o faturamento exportador nacional.
Os motores do crescimento
Quem está cimentando esse lastro monumental da produção cafeeira pelo mundo? O fluxo não esconde grandes mistérios quanto à nossa base fiel, mas traz saltos hiperbólicos nos portos asiáticos.
Os grandes baluartes do consumo no Ocidente responderam por uma absorção tremenda ao longo de todos os ciclos. A Alemanha ancorou o topo da tabela com US$ 2,22 bilhões no último ciclo, seguida pelos Estados Unidos com contínuos US$ 1,9 bilhão. Itália e Japão também sustentaram faturamentos superiores a US$ 1 bilhão ao ano, fornecendo o alicerce que garante a estabilidade agrícola no exterior.
A anomalia chinesa
Por outro lado, o ritmo sem teto que efetivamente chama a atenção não passa pelo Ocidente. Os chineses, tidos desde antes das dinastias como os imodificáveis consumidores da folha do chá, viram seus jovens centros urbanos aderirem de maneira maníaca à expansão global de redes de cafeteria e torrefação nos últimos cinco anos, provocando o rompimento definitivo da muralha.
Há seis anos, entre abril de 2020 e março de 2021, o Brasil exportava míseros US$ 32,9 milhões em derivados do grão para a China inteira. O avanço em ritmo avassalador que se seguiu quebrou todas as escalas, fechando em março de 2026 com recorde intocável de estonteantes US$ 402,8 milhões. Trata-se de uma multiplicação inaudita de demanda, superior a doze vezes em apenas seis anos.



Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!