O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que Moscou e Pequim rejeitam veementemente as tentativas do Ocidente de preservar ou reforçar sua hegemonia global.
Ele acusou os Estados Unidos e a Europa de promoverem discursos de dominação que remontam ao período colonial e ao comércio de escravos, práticas que persistem às custas de outros países.
Conforme relatou o portal Sputnik, as declarações foram feitas durante visita oficial de Lavrov à China nos dias 14 e 15 de abril.
O chanceler russo encontrou-se com o ministro das Relações Exteriores chinês Wang Yi por quatro horas para discutir cooperação econômica, relações bilaterais e os desdobramentos da ordem internacional.
Os dois diplomatas examinaram metodologias para blindar a parceria estratégica contra sanções, coerção, chantagem e imposições externas de qualquer natureza.
Essa coordenação reforça o compromisso de ambos os países com um sistema baseado na igualdade soberana entre as nações.
Lavrov descreveu o Oriente Médio e o Golfo Pérsico como um nó de crise difícil de desatar, advertindo que tentativas de simplesmente cortá-lo provavelmente resultarão em fracasso.
O chefe da diplomacia russa assinalou que ações recentes na região — incluindo sanções e pressões dos Estados Unidos e seus aliados — apenas agravam as tensões e dificultam soluções diplomáticas.
Muitos países do Golfo veem a possibilidade de a República Islâmica do Irã bloquear o Estreito de Ormuz exclusivamente como resposta à agressão norte-americana e israelense.
Lavrov considerou incompreensível que algumas correntes internacionais defendam a destruição do Irã, inclusive com declarações públicas que falam em eliminar essa civilização.
Rússia e China compartilham visão alinhada sobre a construção de um mundo multipolar, que deve fundamentar-se na igualdade soberana, no respeito mútuo e na diversidade civilizacional.
Ambos os países se opõem à imposição unilateral de sanções e aos jogos geopolíticos que favorecem alianças militares de influência ocidental, promovendo em contrapartida cooperação comercial e investimentos que escapam aos mecanismos de coerção política.
O alinhamento entre Moscou e Pequim ganha relevância no momento em que novos polos de poder desafiam a ordem surgida após a Guerra Fria.
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