Cientistas da Universidade de Adelaide identificaram um processo geológico antigo que explica a formação de numerosos depósitos de terras-raras. Esses elementos são fundamentais para tecnologias avançadas e para a produção de energia limpa.
A pesquisa publicada na revista Science Advances reconstruiu a história tectônica dos últimos dois bilhões de anos. Conforme detalhou o portal Live Science, a equipe liderada por Carl Spandler e Andrew Merdith localizou regiões do manto fertilizadas por antigas zonas de subducção.
Nessas zonas de subducção, fluidos ricos em halogênios reagem com as rochas do manto e as enriquecem com elementos de terras-raras. O fenômeno ocorre quando uma placa tectônica mergulha abaixo de outra.
Posteriormente, condições como menor fluxo de calor, afinamento da crosta ou descompressão fazem essas regiões derreterem. O resultado são magmas alcalinos ou carbonatíticos que cristalizam em depósitos minerais exploráveis.
Os modelos tectônicos demonstraram alta precisão ao mapear depósitos conhecidos. Cerca de 67% dos depósitos de magma carbonatítico e alcalino, 72% dos depósitos de terras-raras com menos de 1,8 bilhão de anos e 92% dos mais antigos coincidem com mantos fertilizados por subducções antigas.
O estudo revela uma herança geológica notável. Regiões do manto permanecem enriquecidas por centenas de milhões a bilhões de anos antes de gerarem depósitos visíveis na crosta terrestre.
Essa descoberta desafia visões anteriores que privilegiavam as plumas mantélicas. Tais plumas apresentam temperaturas elevadas demais para produzir os magmas específicos associados aos depósitos de terras-raras.
Do ponto de vista prático, a indústria mineradora ganha uma ferramenta poderosa. Empresas e governos podem direcionar esforços para áreas com histórico de subducção antiga, crosta estável e evidências de magmas frios.
Regiões com sobreposição de múltiplas zonas fertilizadas apresentam maior potencial. Nelas surgem depósitos maiores e com maior concentração de elementos valiosos.
A pesquisa oferece ainda perspectivas sobre a evolução do planeta. Processos profundos moldam recursos que só se manifestam após longos intervalos geológicos.
Elementos como água e carbono podem ser armazenados em profundidade por bilhões de anos. Eles aguardam as condições tectônicas adequadas para participar da formação de novos depósitos minerais.
Crátons antigos com registro de atividade de subducção, como o Cráton Amazônico, surgem como áreas de alto potencial. Essa perspectiva pode contribuir para o desenvolvimento de uma estratégia de soberania nacional sobre minerais críticos.
Os autores indicam que os próximos passos envolvem o refinamento dos modelos para períodos ainda mais remotos. O objetivo é identificar zonas de subducção com mais de dois bilhões de anos e tornar a exploração mineral mais direcionada e sustentável.
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