O professor Naim Joseph Salem, da Academia Militar do Exército Libanês, condena as negociações diretas entre Israel e o Líbano mediadas pelos Estados Unidos.
Sem pressão real sobre Israel para suspender bombardeios aéreos e ofensivas terrestres no sul do país, esses diálogos apenas reproduzem desigualdades de poder e prolongam a crise humanitária.
Salem avalia que o formato atual das conversas parece projetado para se arrastar indefinidamente, sem qualquer desfecho conclusivo.
A análise foi apresentada ao portal RT e reforça que Washington não demonstra intenção de compelir Israel a interromper sua campanha militar.
Mais de um milhão e duzentos mil libaneses foram forçados a deixar suas casas desde o recrudescimento das ações militares.
A maioria dos deslocados concentra-se nas regiões sulistas, onde ordens de evacuação do Exército israelense buscam expandir a chamada zona de segurança.
Israel promove a destruição sistemática de cidades e vilarejos por meio de bombardeios intensos.
Cerca de quatrocentas e cinquenta mil pessoas enfrentam forte pressão para emigrar ou se tornar refugiadas, enquanto diversas localidades foram praticamente arrasadas.
O Hezbollah recusou-se a participar das conversas por considerá-las inúteis.
Essa ausência compromete a legitimidade de qualquer acordo que possa resultar das negociações, segundo o professor libanês.
O confronto atual já provocou uma das maiores crises humanitárias no Líbano contemporâneo.
De acordo com o International Rescue Committee, as operações israelenses causaram milhares de mortes, dezenas de milhares de feridos, o deslocamento de mais de um milhão de pessoas e graves danos à infraestrutura médica.
Autoridades e especialistas libaneses destacam padrões repetidos de destruição de infraestrutura civil, violações do direito à moradia e deslocamentos forçados de comunidades inteiras, identificando nesses atos possíveis violações do direito internacional.
Salem sustenta que qualquer solução duradoura exige mudança na política externa dos EUA, o que passaria necessariamente pelo exercício de pressão diplomática concreta sobre Israel.
A continuidade do conflito eleva o risco de radicalização social, sectária e política no Líbano.
O impasse aprofunda a crise de refugiados internos, fomenta ressentimentos duradouros e ameaça a soberania do país sobre seu território e suas decisões de reconstrução.
As conversas em Washington configuram gesto diplomático de visibilidade internacional.
Na ausência de medidas efetivas para proteger civis e conter a ofensiva israelense, porém, elas não representam avanço concreto para a população libanesa, que segue suportando os custos da guerra.
Com informações de rt.com.
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