No contexto de chuvas extremas e enchentes cada vez mais frequentes nas cidades brasileiras, conforme registro da Agência Brasil nesta segunda-feira (13 de abril de 2026), a renaturalização de rios urbanos é defendida por especialistas como uma das estratégias centrais para adaptar territórios aos impactos das mudanças climáticas. Recuperar e reabrir cursos d’água pode tornar os espaços urbanos significativamente mais resilientes.
A paisagista urbana Cecília Herzog, integrante da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), afirma que a requalificação de rios é uma medida urgente diante do cenário climático atual. Segundo ela, o modelo de desenvolvimento que canalizou rios e impermeabilizou o solo com asfalto e concreto tem agravado os efeitos das chuvas. Herzog ressalta que a água sempre percorre os pontos mais baixos e, sem áreas de infiltração, acaba por inundar regiões planas ou de baixada.
Com a redução de áreas permeáveis, a água escoa mais rapidamente, o que eleva o risco de alagamentos. A recuperação de rios precisa vir acompanhada de uma requalificação ampla da paisagem urbana, incluindo a ampliação de áreas verdes e sistemas naturais de drenagem. “A água infiltra no solo, fica retida por algum tempo e depois segue seu curso de forma mais equilibrada. Em rios abertos, com seu curso natural e vegetação ciliar, o impacto da chuva é muito menor”, explica a paisagista.
Esse entendimento técnico tem avançado no país com projetos práticos. Em São Paulo, o futuro Parque Municipal do Bixiga prevê a reabertura de parte do córrego do Bixiga, além da preservação de nascentes e ampliação de áreas verdes. Em janeiro de 2026, a Prefeitura lançou um concurso público nacional para definir o projeto do espaço, com resultado previsto para maio. No Rio de Janeiro, um grupo de trabalho da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima estuda a requalificação do Rio Maracanã com base em soluções naturais. Em março de 2026, foi firmada uma parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RJ) para a realização de um concurso de projeto para a renaturalização da área.
A arquiteta e urbanista Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, destaca que a renaturalização faz parte de um novo paradigma de desenvolvimento urbano. O conceito engloba a implementação de telhados verdes, jardins de chuva, valetas vegetadas e bacias de retenção que permitem reter temporariamente a água e favorecer a infiltração no solo. Além de mitigar enchentes, tais soluções auxiliam no controle de ondas de calor nas metrópoles.
As especialistas reforçam que medidas isoladas não são suficientes diante da intensificação dos eventos extremos. A adaptação climática exige ações integradas e planejadas para cada território. A ideia fundamental é devolver à cidade áreas com solo vivo e vegetação nativa, capazes de desempenhar funções ecológicas que hoje estão prejudicadas, tratando a gestão hídrica como um desafio local contínuo.
Fonte: Agência Brasil