Ondas de calor que podem ser fatais para seres humanos já estão acontecendo

Segundo reportagem do Jornal da USP publicada nesta terça-feira (28), um artigo divulgado no periódico Nature Communications conclui que condições de calor fatais para seres humanos já estão acontecendo ao redor do mundo. A pesquisa analisa seis eventos localizados na Ásia, na Europa e na Austrália, que juntos somaram quase 80 mil mortes notificadas. O estudo observa que todos esses episódios tiveram períodos em que a combinação de calor e umidade seria mortal para pessoas acima de 65 anos que passassem seis horas em exposição direta ao sol.

Eventos de calor extremo se tornaram mais comuns, sobretudo nas duas últimas décadas. “Nós temos tido ondas de calor mais intensas, mais frequentes e mais duradouras”, explica Tercio Ambrizzi, especialista em mudanças climáticas e professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). O pesquisador aponta que, em geral, esses fenômenos atingem principalmente regiões urbanas e que o aumento de intensidade eleva diretamente o risco à saúde humana.

Para chegar ao ponto extremo de causar um óbito, muitas vezes o calor se alia a questões sociais ou de saúde. Áreas com alta densidade demográfica e pouca arborização, geralmente compostas por populações de baixa renda, são significativamente mais quentes do que aquelas bem arborizadas, normalmente situadas em bairros de alto padrão.

O calor também afeta desproporcionalmente idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Isso faz com que problemas decorrentes das altas temperaturas sejam, na prática, associados a outras condições pré-existentes.

“As ondas de calor causam mortes no Brasil, apesar de subnotificadas. Muitas vezes, a causa direta do óbito não é registrada nos hospitais. A pessoa entra com sintomas relacionados a uma onda de calor, mas isso acaba não sendo documentado”, alerta o professor.

Como ondas de calor mais intensas e mais frequentes se tornaram o novo normal, é preciso aprender a lidar com o cenário. Ambrizzi considera necessária uma ação coordenada do poder público e lista medidas essenciais que devem ser tomadas: criação de sistemas de alerta, desenvolvimento de planos de ação preventivos e instalação de refúgios térmicos.

A distribuição urbana, o uso massivo de concreto e a pouca arborização fizeram com que as cidades se tornassem verdadeiras ilhas de calor, registrando temperaturas muito mais altas que as regiões periféricas ou rurais ao redor. Para reduzir os efeitos desse fenômeno, a resposta principal é a arborização. “Muito mais áreas verdes”, enfatiza o especialista.

O corpo humano costuma dar sinais claros de que está tendo problemas para lidar com as temperaturas extremas. Sintomas como sede intensa, fraqueza, fadiga, tontura e dores de cabeça podem acontecer com facilidade. No entanto, se o quadro evoluir para estágios mais graves, apresentando confusão mental, pele excessivamente seca e vômitos, a recomendação médica é procurar uma unidade de saúde imediatamente.

Fonte: Jornal da USP

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.