Armadores internacionais exigem garantias concretas de segurança, definição precisa de rotas permitidas e clareza sobre responsabilidade legal antes de retomar a travessia comercial pelo Estreito de Hormuz.
Conforme detalhou a agência Reuters, as empresas do setor marítimo não pretendem arriscar operações sem detalhes oficiais sobre os riscos remanescentes.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, anunciou que o estreito estaria aberto para todos os navios comerciais durante cessar-fogo de dez dias no conflito entre os EUA e o Irã. A declaração provocou queda imediata nos preços do petróleo e alta nos mercados de commodities.
Empresas do setor marítimo demandam esclarecimentos sobre riscos reais, como a presença de minas marítimas e a coordenação necessária com forças iranianas. O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, informou que os termos do anúncio ainda estão em avaliação para confirmar se respeitam a liberdade de navegação e oferecem passagem segura.
A Associação Norueguesa de Armadores alertou que é essencial conhecer exatamente sob quais condições o trânsito será autorizado. A BIMCO recomendou que seus associados evitem completamente a rota até que todos os riscos sejam devidamente esclarecidos.
Um ponto central de atenção envolve as rotas que o Irã considera seguras. As autoridades iranianas reiteraram que a militarização do tráfego permanece proibida, o que exclui embarcações militares da passagem pelo estreito.
A Hapag-Lloyd informou que analisa as condições para retomar operações tão logo seja possível. A Maersk declarou que monitora atentamente a situação para definir seus próximos passos com base em avaliação de risco.
O tráfego comercial no estreito esteve praticamente suspenso durante seis semanas em função do conflito entre os EUA e o Irã. Essa interrupção afetou cerca de 20 por cento das exportações globais de petróleo e gás liquefeito.
Estimativas de empresas como a Hapag-Lloyd indicam que a normalização dos fluxos pode levar entre seis e oito semanas mesmo após o cessar-fogo. Uma mensagem de rádio interceptada por armadores indicou que o trânsito ainda estaria interdito para embarcações sem autorização da Marinha Revolucionária Iraniana.
Navios não autorizados poderiam ser alvo de ação militar, segundo o alerta transmitido. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o governo iraniano se comprometeu a nunca mais fechar o estreito e que as minas marítimas seriam removidas.
As empresas precisaram rerrotear cargas ou adotar caminhos mais longos durante o bloqueio. Essa medida elevou de forma significativa os custos logísticos, de seguros e os riscos políticos para o transporte marítimo global.
O anúncio da República Islâmica representa passo diplomático relevante, mas permanece insuficiente para o setor até que haja confirmação operacional sobre segurança e condições de tráfego. As principais armadoras mantêm posição de cautela enquanto aguardam detalhes adicionais das autoridades iranianas.
Com informações de aljazeera.com.
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