O sistema de pagamentos internacionais da China movimentou US$ 24,47 trilhões em 2024 — crescimento de 42,6% sobre o ano anterior. O renminbi ainda não desbanca o dólar, mas a infraestrutura para isso está sendo construída em velocidade acelerada.
Pequim está adotando medidas concretas para transformar o renminbi numa moeda realmente global. Segundo relatório de 2025 do TABInsights, a parcela de transações internacionais em renminbi processadas pelo sistema Cross-Border Interbank Payments System (CIPS) subiu fortemente: em 2024, 44% das instituições financeiras destinaram entre 21% e 40% das suas trocas em RMB por meio do CIPS, enquanto 22% contemplaram a faixa de 41% a 60% — avanços de 18 e 10 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Também disparou o volume financeiro processado pelo CIPS: ¥175,49 trilhões chineses, o equivalente a US$ 24,47 trilhões, foram movimentados em 2024. O sistema registrou 8,22 milhões de transações diárias via rede interbancária, com médias de ¥652,39 bilhões por dia, cerca de US$ 90,95 bilhões.
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O uso mundial do renminbi intensificou-se. Levantamento trienal do BIS (Bank for International Settlements) mostra que sua participação nas negociações cambiais globais de balcão saltou de cerca de 7% em 2022 para aproximadamente 8,5% em 2025. Mesmo assim, o dólar continua dominando, respondendo por cerca de 44,6% das operações no mesmo período.
No comércio exterior, o renminbi liderou em velocidade de crescimento como moeda de pagamento em 2025, embora sua participação global ainda seja modesta — cerca de 3% a 5%, apontam estimativas da Swift. Já o dólar permanece responsável por quase metade de todos os pagamentos internacionais em valor.
Para impulsionar esse movimento, a China intensificou ações regulatórias. O país expandiu o acesso de investidores estrangeiros aos seus contratos futuros e de opções locais, discutiu o uso de outras moedas como colaterais em operações liquidadas em yuan, e reforçou linhas de swap cambial com parceiros no Oriente Médio, Sudeste Asiático e América Latina.
O desempenho econômico chinês também favorece o yuan. Com crescimento real alinhado às expectativas, superávits comerciais superiores a US$ 1 trilhão nos primeiros 11 meses de 2025, e inflação sob controle, a China mantém relativa estabilidade cambial, o que transmite confiança aos investidores estrangeiros.
Mesmo assim, especialistas apontam limitações: embora o renminbi esteja conquistando espaço nos mercados de câmbio e comércio, ainda está distante de rivalizar como moeda reserva global ou instrumento financeiro dominante. Barreiras estruturais como controle de capitais, transparência insuficiente e persistente confiança internacional no dólar continuam a restringir sua ascensão completa.
Essa evolução importa porque sinaliza formação de um sistema monetário mais plural, em que o monopólio do dólar é contestado não só por desejo político, mas por inovações concretas nos sistemas financeiros, no uso crescente do yuan nas transações comerciais e em estratégias diplomáticas monetárias. Para países do Sul Global, especialmente o Brasil, pode significar negociações menos vulneráveis a sanções, custos de câmbio menores e nova margem de autonomia econômica. A internacionalização do yuan não é apenas sobre moeda: é sobre poder — o poder de reescrever regras do sistema financeiro global.
Com informações de observador.pt.
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