Índia entra no seleto clube do voo espacial comercial com o lançamento do Vikram-1, da Skyroot Aerospace, que colocou foguete em órbita com sucesso
A Índia acaba de ingressar de forma concreta no seleto mercado de lançamentos espaciais privados. No último sábado (19), o foguete Vikram-1, primeiro veículo lançador totalmente comercial desenvolvido por uma empresa privada indiana, alcançou a órbita terrestre com sucesso, segundo informações do site Ars Technica.
A decolagem ocorreu a partir da principal base espacial do país, na ilha de Sriharikota, no Golfo de Bengala, por volta do meio-dia no horário local. O lançamento chegou a sofrer um atraso de mais de meia hora para a correção de um problema técnico de última hora, mas a contagem regressiva foi retomada sem maiores sobressaltos.
Com 22 metros de altura, o Vikram-1 é modesto se comparado aos grandes foguetes governamentais indianos. Sua capacidade máxima é de 350 quilos de carga em órbita baixa da Terra, o que o torna um pouco maior que o Electron, da empresa americana Rocket Lab, considerado o lançador de pequenos satélites mais bem-sucedido do mundo.
O voo transcorreu sem falhas graves. Três motores a propelente sólido queimaram em sequência para levar o foguete ao espaço, seguidos por um quarto estágio movido a combustível líquido, acelerando a nave até a velocidade orbital de cerca de 27,3 mil km/h. Câmeras de bordo transmitiram ao vivo cada fase da manobra.
O único sinal de anormalidade ocorreu durante a separação entre o terceiro e o quarto estágios. De acordo com a Skyroot Aerospace, o motor gasto do terceiro estágio permaneceu visivelmente próximo ao quarto estágio durante uma breve fase de inércia, sem se distanciar como o esperado.
Apesar do detalhe, o motor impresso em 3D do quarto estágio cumpriu sua função. O foguete atingiu uma órbita de aproximadamente 450 quilômetros de altitude, com inclinação de 60 graus em relação à linha do Equador, valor muito próximo ao previsto antes do lançamento. Dados de rastreamento militar dos Estados Unidos confirmaram a chegada bem-sucedida do veículo ao espaço.


Cecília Silva
20/07/2026
Enquanto a Índia celebra um foguete privado atingindo a órbita, aqui na favela a gente ainda luta pra ter direito a saneamento básico e internet de qualidade. O que essa corrida espacial significa para quem tem que escolher entre comprar arroz e pagar o aluguel? Fico pensando se essa tecnologia um dia vai servir pra melhorar a vida de quem realmente precisa ou se vai continuar sendo um brinquedo de bilionário.
Maria Antonia
21/07/2026
Cecília, essa visão de que o avanço tecnológico rouba recursos dos mais pobres é um mito estatizante. Iniciativa privada gera empregos, reduz custos e cria inovações que barateiam até internet e infraestrutura. Nosso problema com saneamento é gestão pública falha, não falta de foguetes. O progresso privado é a solução, não o inimigo.
Fernanda Oliveira
20/07/2026
É lindo ver a Índia alcançando esse marco com a Skyroot, mas não posso deixar de pensar: enquanto empresas privadas investem bilhões pra colocar foguete em órbita, milhões de indianos ainda vivem sem saneamento básico e com fome. Isso me lembra como a tecnologia muitas vezes serve pra escapar dos problemas reais, em vez de resolvê-los. Quem realmente se beneficia desse “progresso”? Não é a população pobre e racializada, com certeza.