O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (20) o arquivamento da investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no caso da Abin Paralela. A decisão seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que entendeu que Bolsonaro já foi condenado por esses fatos no processo da trama golpista. As acusações contra o filho Carlos Bolsonaro serão enviadas à Justiça Federal no Distrito Federal.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (20) o arquivamento da investigação aberta contra o ex-presidente Jair Bolsonaro pelo uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante seu governo.
Na decisão, o ministro seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) e entendeu que Bolsonaro já foi condenado pelos fatos relacionados ao monitoramento ilegal de autoridades públicas. No processo da trama golpista, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, pena que também levou em conta essa acusação.
Moraes determinou ainda que as acusações contra Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, sejam enviadas para a Justiça Federal no Distrito Federal. Durante as investigações, a Polícia Federal (PF) apurou a suposta ligação do chamado “Gabinete do Ódio” com o caso Abin Paralela.
Arquivamento
Na mesma decisão, o ministro determinou o arquivamento das investigações contra o ex-diretor-geral da Abin Luiz Fernando Corrêa, o ex-diretor adjunto Alessandro Moretti, o ex-corregedor José Fernando Moraes Chuy, e o ex-coordenador de operações Lucio de Andrade Parente. Para Moraes, não há indícios para o prosseguimento da investigação criminal.
“As imputações formuladas limitam-se à enunciação de conclusões genéricas acerca de suposta participação dos requeridos em atos de embaraço à investigação, sem a individualização concreta das respectivas condutas e sem a demonstração mínima dos elementos necessários à configuração de fato penalmente relevante”, afirmou o ministro.
Com a decisão, a PF deverá cancelar os indiciamentos desses investigados.
Fonte: Agência Brasil


Samara Oliveira
20/07/2026
É difícil não sentir um aperto no peito com mais um arquivamento envolvendo o ex-presidente, especialmente vindo de um caso que escancara o uso político de órgãos de inteligência. Se o argumento é que os fatos já foram condenados em outro processo, fica a pergunta: a sociedade vai ver de fato alguma pena cumprida ou as condenações viram moeda de troca jurídica? Como cristã, acredito que a justiça divina é certa, mas a terrena precisa ser firme contra quem abusa do poder, senão a impunidade vira regra e o pobre continua pagando a conta.
Lucas Gomes
21/07/2026
Samara, sua indignação é legítima. Enquanto arquivam investigações contra quem usou a Abin para espionar adversários, a repressão cai pesada sobre indígenas e ativistas que defendem a vida. A justiça terrena reflete o mesmo sistema que explora o pobre e destrói o meio ambiente.
Bia Carioca
20/07/2026
O arquivamento técnico não apaga o fato de que a Abin paralela foi um esquema de espionagem ilegal montado durante o governo Bolsonaro. A justificativa da PGR de que os mesmos fatos já foram julgados na trama golpista até faz sentido juridicamente, mas deixa um gosto amargo de que certos crimes ficam diluídos em meio a tantas investigações. A pergunta que fica é: quantos desvios mais precisam ser esclarecidos enquanto a população espera respostas concretas sobre o uso político da máquina pública?