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Descoberta em caverna do Texas muda radicalmente os registros climáticos do Edwards Plateau

0 Comentários🗣️🔥 Fósseis de até 130.000 anos encontrados na Caverna Bender, no condado de Comal, reescrevem o passado climático do Edwards Plateau. Uma equipe liderada por John Moretti, da Universidade do Texas, e pelo espeleólogo amador John Young encontrou fósseis surpreendentes na Caverna Bender, no condado de Comal, que reescrevem o passado climático do Edwards […]

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Ilustração editorial sobre Descoberta em caverna do Texas muda radicalmente os registros climáticos do Edwards Plateau. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Fósseis de até 130.000 anos encontrados na Caverna Bender, no condado de Comal, reescrevem o passado climático do Edwards Plateau.

Uma equipe liderada por John Moretti, da Universidade do Texas, e pelo espeleólogo amador John Young encontrou fósseis surpreendentes na Caverna Bender, no condado de Comal, que reescrevem o passado climático do Edwards Plateau. Foram identificados vestígios de Hesperotestudo (uma espécie de jabuti gigante) e do armadillo-pampatério Holmesina septentrionalis — animais até então inimagináveis num ambiente descrito como árido, frio e dominado por campos abertos. Essa nova descoberta foi publicada recentemente pela revista Quaternary Research e divulgada pelo porta-voz Phys.org.

Os fósseis foram recuperados tanto em áreas secas da caverna quanto em trechos submersos. Moretti e Young mergulharam na corrente subterrânea — chegando a utilizar snorkel — para alcançar fósseis presos ao leito lamacento do rio subterrâneo que corta a caverna. Entre os achados, há dentes de mamute, ossos de camelos-antigos (Camelops), vestígios de bisonte, cavalo, um gigante preguiça (Megalonyx jeffersonii) e espécies tropicais indicativas de clima quente e úmido.

Um teste com radiocarbono sugeriu idade entre 17.330 e 17.030 anos antes do presente, ligado ao Estágio Isotópico Marinho (MIS) 2, mas cientistas alertam para contaminação que pode ter alterado esse valor — ele aparenta mais recente ou mais antigo do que realmente é.

Para resolver a datação com mais precisão, os pesquisadores aplicaram análise de agrupamento estatístico comparando as espécies fósseis de Bender com outros sítios do Pleistoceno do Texas. O resultado aponta que o conjunto de fósseis é mais compatível com MIS 3 ou MIS 5, sendo o Estágio 5, o último período interglacial, o mais provável, situando os restos entre aproximadamente 71.000 e 130.000 anos atrás.

A presença de espécies que requerem clima quente, úmido e sem geadas — como o jabuti gigante e o pampatério — sugere que essa região apresentava alto nível de umidade e cobertura florestal densa durante esse intervalo. Essa configuração contraria todos os outros registros climáticos existentes para o Edwards Plateau nos mesmos períodos, que descrevem ambiente frio, seco e aberto.

Além de lançar nova luz sobre paleoclimatologia regional, a descoberta muda nossa percepção sobre padrões de biodiversidade no sudoeste dos EUA em épocas profundas. O Edwards Plateau, hoje caracterizado por vegetação semicárida de 610 mil km², composta por mesquites, quixomes e juníperos, mostra indícios fortes de que já sustentou ecossistemas comparáveis às florestas tropicais ou subtropicais. Essa revelação abre espaço para revisar modelos de distribuição geográfica de espécies extintas, migração climática e adaptação de fauna.

Os pesquisadores planejam agora refinar datas usando métodos como datação pelo urânio-tório em estalactites ligadas aos fósseis, séries de elétron spin e datação de esmalte dental, para confirmar se os restos estão verdadeiramente associados ao Estágio 5 interglacial. Isso permitirá distinguir entre alterações climáticas naturais profundas e possíveis variações mais recentes pouco percebidas nos registros atuais.

E daí? Se essas descobertas se confirmarem, será necessário reavaliar não apenas a história climática local, mas os modelos do Pleistoceno para todo o centro do Texas, potencialmente ajustando previsões para mudanças ambientais atuais. Essa nova visão climática tem impacto direto sobre como entendemos adaptabilidade de ecossistemas próximos às zonas de transição entre clima seco e úmido, e reforça que cenários de mudança climática presentes e futuros devem considerar extremos históricos tão distintos quanto esse — pois eles moldam a biodiversidade, os recursos hídricos subterrâneos e a conservação ambiental.

Com informações de phys.org.


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