O Irã desmentiu categoricamente as afirmações do presidente dos EUA Donald Trump sobre supostos progressos nas negociações bilaterais.
O presidente do parlamento iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf classificou como falsas sete declarações recentes feitas pelo líder norte-americano. Ele advertiu que o Estreito de Hormuz não permanecerá aberto caso os EUA persistam no bloqueio aos portos iranianos.
As conversações indiretas realizadas em Islamabad, no Paquistão, terminaram sem qualquer acordo concreto. Trump havia declarado que não restavam mais pontos de atrito para fechar um pacto com a República Islâmica do Irã.
O presidente americano transmitiu mensagens otimistas sobre compromissos supostamente assumidos por Teerã em declarações à agência AFP e em publicações nas redes sociais. Ghalibaf afirmou que essas declarações buscam manipular os mercados financeiros e petrolíferos.
O objetivo adicional, segundo o parlamento iraniano, seria desviar a atenção da situação militar desfavorável que os EUA e seus aliados enfrentam na região. O Irã reforça que nenhum diálogo oficial direto ocorreu com Washington.
O ponto central de discórdia entre as partes continua sendo o programa nuclear iraniano. A proposta apresentada por Washington inclui 15 pontos e exige que o Irã abandone ambições relacionadas a armas nucleares.
A lista abrange ainda a suspensão da produção de mísseis balísticos, o fim de qualquer restrição ao Estreito de Hormuz e a aceitação de compensações de guerra. Teerã respondeu com uma contraproposta de cinco pontos que demanda o fim dos ataques, garantias de segurança, reparações pelos danos e o reconhecimento formal da soberania iraniana sobre o Estreito de Hormuz.
Essa troca de propostas expõe o fosso profundo que separa as posições dos dois lados. Trump ameaçou impor sanções adicionais e bloquear qualquer navio que entre ou saia do estreito.
Ao mesmo tempo, sustenta que a via marítima permanece aberta para embarcações comerciais enquanto o bloqueio naval aos portos iranianos continua. O Irã reafirma que manterá o controle sobre o estreito e poderá fechá-lo se o bloqueio imposto pelos EUA não for suspenso.
O Estreito de Hormuz responde por cerca de 20% dos embarques globais de petróleo, e o bloqueio naval aos portos iranianos gera fortes repercussões no suprimento energético mundial. Conforme noticiou o portal Al Jazeera, as lideranças iranianas denunciam manobras destinadas a pressionar o país e influenciar os preços do petróleo.
O prolongamento do impasse agrava as tensões em uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. A contradição entre as narrativas de Washington e Teerã revela a dificuldade de alinhar as versões apresentadas por cada governo.
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