Um alerta importante sobre a saúde feminina veio de um cardiologista com mais de 20 anos de experiência: complicações durante a gravidez podem deixar marcas que aumentam o risco de doenças do coração ao longo da vida. A informação foi destacada pelo Dr. Sanjay Bhojraj, especialista em cardiologia intervencionista e medicina funcional, em um vídeo que viralizou recentemente nas redes sociais e foi repercutido pelo Hindustan Times.
Segundo o médico, o problema é que as doenças cardíacas em mulheres costumam se manifestar de forma silenciosa. Enquanto nos homens os sinais clássicos, como dor intensa no peito, são mais evidentes, nelas os sintomas podem parecer inofensivos: cansaço persistente, falta de ar, palpitações noturnas e até uma leve pressão no peito que facilmente é atribuída ao estresse ou à ansiedade. Essa diferença faz com que o diagnóstico demore e o risco de complicações aumente.
Dr. Bhojraj explica que, mesmo quando exames comuns como pressão e colesterol parecem dentro da normalidade, o histórico de saúde feminina pode guardar pistas valiosas. Gestar é uma das experiências mais transformadoras do corpo – e, em alguns casos, também uma janela para futuros problemas cardiovasculares. Condições como pressão alta na gravidez, diabetes gestacional, parto prematuro ou o diagnóstico de pré-eclâmpsia não são episódios isolados, mas sim sinais de que o corpo daquela mulher pode ter uma maior tendência a desenvolver doenças do coração no futuro.
O cardiologista resume de forma direta: o que acontece na gravidez não necessariamente fica no passado. Ele alerta que muitas mulheres acreditam ter deixado para trás esses desafios, mas que o organismo pode guardar uma espécie de memória dos impactos sofridos. Com o passar dos anos, essas alterações podem influenciar o funcionamento dos vasos sanguíneos e aumentar a vulnerabilidade do sistema cardiovascular.
Outro ponto levantado por Bhojraj é o desconhecimento sobre o próprio risco. Segundo ele, algumas mulheres têm menos de 1% de chance de sofrer um infarto ao longo da vida, enquanto outras chegam a quase 20%. O mais preocupante é que a maioria não sabe em qual grupo se encontra. Essa falta de consciência faz com que muitas ignorem sinais precoces e deixem de buscar acompanhamento médico regular.
De acordo com o especialista, o coração feminino precisa de uma atenção personalizada. O ideal é que mulheres que tiveram complicações na gestação conversem com um cardiologista mesmo anos depois do parto, especialmente se notarem sintomas sutis como fadiga fora do comum, palpitações ou sensação de aperto no peito. Pequenas mudanças de estilo de vida – como manter uma alimentação equilibrada, dormir bem e praticar atividade física – podem reduzir significativamente o risco, principalmente quando associadas a acompanhamento médico e exames periódicos.
O alerta também reforça uma realidade ainda pouco discutida: as doenças cardíacas são a principal causa de morte entre as mulheres, superando o câncer. E justamente por se manifestarem de forma discreta, são muitas vezes diagnosticadas tardiamente. O Dr. Bhojraj enfatiza que reconhecer os sinais e valorizar o histórico de cada mulher é o primeiro passo para mudar esse cenário.
Mais do que assustar, a mensagem é sobre empoderamento e prevenção. Mulheres que passaram por alguma complicação na gestação podem encarar esse histórico não como um fardo, mas como uma informação poderosa – capaz de guiar as próximas escolhas de saúde e ajudar a manter o coração forte e saudável por muitos anos. Entender que o corpo fala, ainda que em sussurros, é uma forma de cuidado e amor-próprio.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual. Caso haja sintomas persistentes ou histórico de complicações na gravidez, é essencial buscar um profissional de saúde para uma avaliação detalhada. Cuidar do coração é um ato de autocuidado que começa com o conhecimento – e conhecimento é poder.
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