Um estudo da Agência Espacial Europeia revela que o risco de uma pessoa ser atingida por detritos espaciais é matematicamente superior à chance de ganhar o prêmio máximo da Mega-Sena. O portal Olhar Digital detalhou a pesquisa que expõe a gravidade do acúmulo de lixo orbital.
Mais de 130 milhões de fragmentos menores que um centímetro orbitam o planeta sem qualquer controle. Radares terrestres monitoram cerca de 35 mil objetos maiores que 10 centímetros.
Essa massa de sucata inclui partes de foguetes descartados, satélites desativados e fragmentos gerados por colisões ou explosões no espaço. Embora a maioria se desintegre na reentrada atmosférica, componentes mais resistentes alcançam o solo com energia suficiente para causar danos.
O cálculo dos cientistas aponta uma chance em dez mil de que um fragmento gere uma vítima humana ao longo de uma década. A probabilidade de vencer a Mega-Sena é de uma em mais de 50 milhões.
O acúmulo começou com o lançamento do Sputnik em 1957 e cresceu de forma contínua. A colisão entre os satélites Iridium 33 e Kosmos 2251 em 2009 multiplicou o volume de detritos em circulação.
As megaconstelações de satélites de internet elevaram o problema a um patamar crítico. Elas aumentam o risco da Síndrome de Kessler, fenômeno em que colisões geram novos fragmentos em efeito cascata.
Agências espaciais agora exigem que satélites sejam retirados de órbita em até cinco anos após o fim das operações. Iniciativas de limpeza ativa testam redes de captura, arpões e lasers para alterar trajetórias de objetos perigosos.
Reentradas descontroladas trazem riscos civis e ambientais adicionais. Fragmentos podem conter hidrazina, substância tóxica usada em combustíveis de foguete, e permanecer em alta temperatura por horas.
Especialistas orientam que objetos metálicos de origem suspeita não sejam tocados. As autoridades devem ser acionadas imediatamente em casos de quedas identificadas.
A Convenção de Responsabilidade Espacial de 1972 estabelece que o país responsável pelo lançamento responde por danos causados em território estrangeiro. O estudo reforça a urgência de políticas internacionais coordenadas para garantir a sustentabilidade do ambiente orbital.
A dependência global de satélites para comunicação, navegação e observação terrestre torna o tema ainda mais relevante. O aumento constante de objetos artificiais exige ações concretas antes que certas órbitas se tornem inviáveis para novas missões.
Com informações de olhardigital.com.br.
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