Estudo revela que placas tectônicas reativam micróbios antigos adormecidos

Formações geológicas de uma paisagem árida que remetem a zonas de subducção. (Foto: phys.org)

Pesquisadores apresentaram uma descoberta surpreendente sobre o papel das zonas de subducção na circulação da vida microscópica do planeta.

Segundo o portal phys.org, um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade Sismológica da América propõe que a atividade tectônica funciona como elevador biológico. Esse mecanismo transporta microrganismos adormecidos há milhões de anos de volta à superfície do fundo do mar.

Esses micróbios permanecem inativos sob camadas de sedimentos oceânicos por milhares ou até milhões de anos. De acordo com Zhengze Li, doutorando da Universidade do Sul da Califórnia, o movimento das falhas nas zonas de subducção gera fluxos de fluidos que impulsionam esses organismos para camadas mais rasas.

Nesses locais os micróbios encontram condições para se reativar, alimentar-se e reproduzir-se. Modelos desenvolvidos pela equipe indicam que o bombeamento tectônico pode movimentar mais de um milhão de gigatoneladas de fluido por milhão de anos.

O processo transporta até 10³⁰ células microbianas e estabelece um ciclo biogeoquímico que conecta as profundezas da crosta ao ecossistema marinho superficial. Nas zonas de subducção, parte dos sedimentos da placa descendente é raspada e acumulada em cunha sob a placa superior.

Alguns micróbios seguem rumo ao manto em jornada que os cientistas chamam de viagem ao inferno. Outros escapam desse destino ao serem empurrados de volta por fraturas e falhas impulsionadas por movimentos sísmicos e fluxos de fluidos subterrâneos.

Uma vez devolvidos ao fundo do mar, esses microrganismos podem despertar e iniciar novos ciclos de vida. O retorno completo do soterramento à reemergência pode levar dezenas de milhões de anos.

Os pesquisadores destacam que os cold seeps, locais onde fluidos subterrâneos emergem no fundo oceânico, servem como evidências diretas desse transporte ativo. Esses pontos de exsudação oferecem janelas naturais para o estudo das comunidades microbianas.

Estudos na zona de subducção da Costa Rica mostraram que áreas com maior energia sísmica apresentam maior concentração de micróbios típicos de ambientes subterrâneos. Tanto grandes terremotos quanto deslizamentos lentos contribuem para a mobilização de fluidos e o transporte de vida microscópica.

Segundo a coautora Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, a sobrevivência prolongada desses microrganismos depende de adaptações notáveis, como mecanismos de reparo de DNA. Estudos genômicos revelam que mutações preservam características essenciais por milhões de anos, garantindo a capacidade de reviver em ambientes favoráveis.

A descoberta reforça a ideia de que a Terra constitui um sistema vivo e interconectado. Processos geológicos e biológicos entrelaçam-se em escalas de tempo imensas, ampliando a compreensão sobre a resiliência da vida.


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