Um novo estudo revela que a salinização da água potável pode estar elevando a pressão arterial de milhões de pessoas, especialmente em regiões costeiras.
A intrusão de água do mar nas fontes de água doce, provocada pela elevação do nível dos oceanos, se consolida como fator de risco relevante para doenças cardiovasculares.
A análise revisou 27 pesquisas populacionais conduzidas em países como Estados Unidos, Austrália, Israel, Bangladesh, Vietnã, Quênia e diversas nações europeias. No total, mais de 74 mil participantes foram avaliados pela equipe de pesquisadores em saúde pública.
Os resultados indicaram que indivíduos expostos a maior concentração de sal na água apresentaram aumento médio de 3,22 mmHg na pressão sistólica e de 2,82 mmHg na diastólica. Eles enfrentam ainda um risco 26% maior de desenvolver hipertensão.
A contaminação de aquíferos por água salgada decorre diretamente do avanço do mar sobre o subsolo das zonas costeiras. Essa tendência impacta principalmente comunidades de baixa e média renda, onde o lençol freático representa a principal fonte de abastecimento.
Mais de 3 bilhões de pessoas vivem em áreas próximas ao litoral, o que amplia o alcance potencial do problema, conforme reportagem do portal Phys.org. O consumo excessivo de sal pela alimentação continua sendo o principal fator de risco, mas a ingestão por meio da água salinizada contribui de maneira significativa.
Muitas vezes a água contaminada não apresenta gosto salgado perceptível, o que torna a exposição silenciosa e contínua ao longo do tempo. O impacto da salinidade na saúde cardiovascular se mostra comparável ao risco associado ao sedentarismo, que eleva a probabilidade de hipertensão em cerca de 15 a 25%.
Pequenas variações na pressão arterial observadas em larga escala populacional podem gerar efeitos expressivos sobre a incidência de doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais. Ainda existem lacunas sobre os efeitos de longo prazo da água salobra em condições mais graves, como infartos e AVCs.
Os autores defendem que novas pesquisas aprofundem a relação entre o teor de sódio na água e a saúde cardiovascular. Eles recomendam ainda o estabelecimento de parâmetros seguros para o consumo humano.
As diretrizes da Organização Mundial da Saúde não definem atualmente um limite específico para a concentração de sódio na água potável. Essa ausência de padrão reforça a urgência de estudos mais robustos e de políticas públicas voltadas à proteção das reservas de água doce, especialmente em países tropicais e em desenvolvimento.
Diante do avanço das mudanças climáticas e da elevação do nível do mar, a intrusão salina tende a se intensificar nas próximas décadas. Monitorar a qualidade da água e reduzir o consumo total de sódio na dieta são medidas que podem mitigar os riscos.
Com a expansão das cidades costeiras e o aquecimento global pressionando os ecossistemas, a salinização das águas subterrâneas se consolida como um desafio emergente para a saúde pública mundial. A pesquisa reforça que o combate à hipertensão precisa incorporar fatores ambientais e estruturais que afetam a qualidade da água consumida diariamente.
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